sábado, 18 de dezembro de 2010

CAIXINHA DE NATAL

Bem no final daquela rua, onde não havia quase nada além de muito silêncio e pessoas sem sorrisos. Às vezes brigavam e quebravam o silêncio. Às vezes não. Quase sempre. Ao lado da entrada, esquecida, havia uma caixinha de natal que fora posta ali há muitos anos por um senhor que morou na vila; havia morrido e poucas pessoas ali o tinham conhecido. A menina que não gosta de natal aprendeu a não gostar por olhar todos os anos a caixinha e não encontrar nada nela. Ela sempre acreditou que o papai Noel voltava do portão e nunca teve coragem de entrar. Ela cresceu assim, sem renas ou trenó, entrando e saindo da vila. Trabalhou, estudou, trabalhou mais, estudou mais ainda, foi se tornando mulher, aprendendo sobre o mundo, fazendo amigos, descobrindo verdades e mentiras, construindo segredos e histórias.

Os dias passavam, os anos corriam. A caixinha ficava velha e cada vez mais esquecida. Ninguém nunca a abriu, ninguém nunca colocou nada lá. Apenas um menino mal educado, que agora não é mais um menino, escreveu nela com corretivo “vai tomar no cu”. A menina que não gostava de natal também nunca gostou do que o menino escreveu lá, mas ela não tinha motivos para apagar  ou querer concertar a caixinha, já que ela não significava nada, apenas mostrava o quanto estavam todos esquecidos e perdidos naquele canto pequeno e aconchegante do mundo. Ela olhou a frase numa tarde em que o sol se escondia devagar, em que gatos famintos miavam no vizinho e cachorros abandonados roubavam as sacolas de lixo. A frase a intrigou. Por que alguém escreveria isto? Se perguntou a menina. Por que usar as palavras de forma tão mal usada? Qual o estímulo para fazer desse jeito? Não havia respostas, entendimento ou sequer empatia. Não houve também a vontade de limpar.

Em casa, à noite, a menina que não gostava de natal ficou se lembrando das palavras escritas na caixa. Agora já não significavam mais nada. Eram apenas letras enfileiradas que poderiam ter todos os significados do mundo. As letras a acompanharam enquanto descansava e depois, bem mais tarde, entraram com ela no banho. A menina escreveu letras desligadas e depois palavras soltas nas paredes do banheiro, onde a água quente evaporava e criava uma camada de vapor condensado. Em pouquíssimo tempo elas escorriam e sumiam. Durante a noite sua cabeça escutou palavras. Seu coração desejou palavras. Durante a noite não aconteceu nenhum sonho. O barulho das brigas na casa ao lado não a atrapalharam dormir, ela não estava com sono. Ela não tinha desejos, apenas uma vontade de palavras que ficava esquecida mas não se calava dentro dela. Nesta noite, a menina que não gostava de natal não conseguiria dormir, foi o que pensou por várias horas. Quando percebeu já era de manhã, o sol invadia sua janela e incomodava os seus olhos. Ela havia perdido a hora de ir para o trabalho. Sabia que não poderia chegar tão atrasada e que deveria criar uma desculpa. Tentou marcar médico, tentou criar alguma coisa, ia falar que o ônibus quebrou, mas se lembrou que ia andando. Preocupada e não conseguindo pensar em nada, se sentou na sala, de frente para um calendário velho pendurado na parede. Viu então que era dia 24 de dezembro e que estava de folga. Sorriu aliviada por saber que não iria perder o emprego. Percebeu que este foi o seu primeiro sorriso trazido pelo natal.

Saiu pela vila. Olhou os visinhos. Estavam todos do mesmo jeito. Quietos ou resmungando. Na sua casa também era assim. Um clima cinza e esfumaçado que parecia tomar todo o local. Não haveria festas ou comemorações por ali. A menina que não gostava de natal e não era mais menina cresceu no meio dessa fumaça sem olhar para fora ou para dentro e sem buscar novas histórias. Naquele dia as palavras a incomodavam. Não gritavam no seu ouvido, mas ficavam por ali, o tempo todo. Ao seu redor. Tocando seu rosto, tocando seus olhos, tocando suas percepções. Ela percebeu o clima lento em que uma mulher fazia a faxina da casa, esfregando o chão com uma vassoura molhada, observando apenas a sujeira que saía. Do outro lado o vizinho pregava uma placa de madeira próximo ao muro; seus movimentos remetiam apenas às batidas no prego. Uma garota sentada em uma cadeira de praia velha estava lendo; seus olhos se concentravam mais em seus pés do que no livro. A única música que se escutava era um funk mal feito que vinha de algum lugar não identificado da rua. Pela janela de uma casa era possível ver três pessoas assistindo TV. Cada uma em um sofá. Passava um daqueles programas chatos de início de tarde e nenhum deles olhava a TV, na verdade não olhavam lugar algum. O tempo passava indeciso por ali, sem saber se ficava ou se ia. Mas ao olhar a caixinha de natal rabiscada ela entendeu que ela ficava, o tempo nunca se fora, sempre ficou à espera...

Já em casa, a menina que não gostava de natal reparou que o sol começava a sumir. E quanto mais a luz diminuía mais as palavras se tornavam sólidas diante dos seus olhos, mesmo que ela não as reconhecesse. Parecia que estavam dentro dela, talvez por isto tenha passado o dia todo sem comer e a mistura das palavras com a fome a incomodava muito. Ouve-se um barulho forte, parecia um acidente de transito um pouco abaixo na rua. Todos saíram para ver ou que aconteceu, ou pelo menos para ficar perto, porque talvez ali ninguém soubesse realmente ver alguma coisa.

A menina que não gostava de natal não pensou não hesitou e não temeu. Correu dentro das casas e escreveu palavras após palavras nas roupas das pessoas.

“olhe para o lado, alguém espera pelo seu sorriso”
“tenha sempre nas mãos a capacidade de tocar um rosto de forma suave”
“para sonhar é preciso ter a coragem de dormir em paz”
“para viver é preciso ter a coragem de sonhar”
“um abraço pode construir uma história interminável”
“não resista a um sorriso, responda com um desejo”

E assim foi por vários minutos até que ela escutou a movimentação de pessoas que voltavam e correu para sua casa. Parou. Respirou fundo. Escreveu também nas roupas que estavam ali. Se deitou e se cobriu. Dormiu.

O sol na manhã do dia 25 não invadiu sua janela, pediu para entrar com carinho e a acordou de forma calma. Estava fraca e sentindo desanimada, afinal, não comera durante todo o dia anterior. Pensou em não levantar, em ficar ali até que o dia acabasse. A menina que não gostava de natal queria deixá-lo passar enquanto dormia. Mas seus olhos não a obedeceram e se abriram. O tempo não a escutou e deixou que o dia começasse lento esperando-a acordar. Então o dia a acordou e a convidou a sair. Ela disse não.

Virou para o lado, fechou as cortinas, cobriu o rosto com o travesseiro para abafar o som das brigas. Não ouviu brigas. Não ouviu silêncio. A fome era forte e ia acabar fazendo-lhe mal. Mas ela não queria se levantar. Era natal e ela não gostava do natal. O sol insistiu e convidou o vento a lhe ajudar. Juntos, um empurrou a cortina e o outro iluminou o quarto. Fizeram isto por várias vezes até que a menina se levantou. Sentou-se na cama com as mãos nos joelhos olhando o chão. Não havia mais palavras em sua cabeça. Elas não a incomodavam mais. Sentiu vontade de sair. Não tinha forças para levantar. Suas mãos tremiam um pouco, sua cabeça doía, sua boca estava seca. O barulho que vinha do lado de fora a incomodava. Não era o funk que vinha da rua. Estava mais perto. Muitas vozes ao mesmo tempo. Não parecia uma briga. O vento então entrou direto e acariciou o seu rosto por mais que ela não acreditasse em carinhos. Ela se levantou, lavou o rosto, pegou um copo de água e o barulho não sumia. Ela saiu.

A vila estava diferente, um ar mais leve, um som gostoso de vozes e música baixa. Estavam todos do lado de fora comemorando juntos. Todos vestidos com as roupas em que a menina escreveu durante a noite. Ela não conseguiu mais andar após ver toda aquela movimentação. Um a um eles se aproximaram dela e a abraçaram desejando feliz natal e dizendo obrigado. As pessoas de sua casa também estavam lá.

A menina teve a curiosidade de olhar para o lado e viu a caixinha de natal, ainda estava velha. Haviam apenas rabiscado por cima da frase. Mas algo parecia diferente; então ela se aproximou e viu que havia algo lá dentro. Abriu. Era um bilhete em um pedaço de papel.
“obrigado. Você não mudou as nossas vidas. Você a trouxe para nós”

A menina que não gostava de natal chorou. Chorou e sorriu. Era natal.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os sonhos despertam medos e segredos
que se escondem no meio de palavras.
As paixões despertam sentidos e desejos
que nos fazem acreditar ainda mais na vida.

Às vezes erramos nas palavras ou amamos em demasia
e até nos perdemos em meio a tanta doçura e tanta verdade.
Mas sei que os meus sonhos se despertam lentamente,
alguns me dão medo, outros alegria, até mesmo insegurança...
mas ainda assim eu sonho,
e nem preciso fechar os olhos,
também não preciso ser perfeito, não o saberia.

Mas à luz dos meus olhos está
a mais bela certeza de que os sonhos existem e se eternizam
não somente nas palavras,
mas nos desejos, nos sorrisos, no amor.
Meu sonho mais real que qualquer certeza que eu tenho,
você,
minha Natália,
minha linda,
minha namorada...

se eu precisar te contar um grande segredo
vou ficar calado,
porque não existem mais segredos.

Às vezes eu me esqueço que somos dois,
ainda que sejamos um.
Pensamos diferente,
nossos tempos se diferem às vezes,
tenho mais cabelos brancos,
você é mais bonita,
eu não gosto de café (mas você faz suco prá mim),
gosto de morar longe,
e quando eu sinto medo, muito medo, insegurança
vejo em você a pessoa mais dedicada desse mundo
sempre, do meu lado, sem me abandonar nunca.

Minhas mãos são mais fortes que as suas,
as minhas palavras também,
mas o seu carinho é muito mais forte que o meu.
Por isso eu te amo tanto,
por isso eu terei você sempre do meu lado,
prá poder acreditar sempre
que a vida é perfeita.

Podemos ter nossas diferenças,
mas sorrimos da mesma maneira,
um olhando nos olhos do outro...

sábado, 14 de agosto de 2010

O Conto do Caminho sem Destino

Bem que às vezes os caminhos se cruzam, se perdem ou se enganam. Bem que o tempo poderia ensinar mais do que tira de nós com suas palavras silenciosas e que sempre se vão. Conto o conto do caminho sem destino que cruzou com o caminho mais belo que se pode encontrar. O caminho de flores que leva à cama, o caminho do morro que leva à casa, o caminho que leva ao ensaio, a ladeira que leva à faculdade, o caminho que leva ao cinema, o caminho da padaria com bolo de chocolate com bundinha branca do qual sempre fujo; mas de todos estes caminhos resta a eternidade do caminho dos sorrisos que me trouxeram ao amor eterno.

Desconhecido porque fecho os olhos sempre que a vejo para deixar o meu coração bater mais forte e no silêncio dos olhos fechados escutar sua voz como uma canção que as mãos não sabem tocar e ter com isto a certeza de que a delicadeza de suas mordidas se encontram com os caminhos perdidos dentro de uma história que possui poucas páginas onde cabem infinitos dias e infinitas verdades das quais não podemos nos esquecer.

Meus caminhos não precisam mais de um destino e para o meu destino não existe um caminho. destino e caminho se fundem em um único sorriso seu...

Nossa, como esse texto ficou ruim... uauauauauuuau

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Quanto mais extenso o deserto, mais eu sei que a areia nos olhos me mostra a inexisgtência dos caminhos. Uma chuva fina de lembranças que me molha de angústia e decepção esfria meus sentidos, congela minhas palavras, me faz fechar os olhos ao vento forte que traz novidades ruins pela manhã. A areia fere os meus dedos, fere os meus sentidos, fere as minhas convicções. Há apenas ruídos estranhos. Foi tão ruim acordar e saber que sou eu.

Um dia tão intenso, de minutos tão infinitos, de infinitas vezes as pessoas a perguntarem como foi tudo ontem e eu ter que responder sorrindo que foi tudo ótimo. A cabeça erguida sob o vento e a areia aumenta ainda mais a minha angústia.

Sem mais palavras

Apenas

Tudo que eu precisava hoje
era apenas não voltar para casa.
Não há qualquer problema com ela
ou com as pessoas,
era apenas uma necessidade de não estar
em algum lugar.
Dormir sobre outro lençól
ou apenas ficar lá até que a noite passe,
como farei sobre o meu.
Era preciso apenas
um calor a mais no meu corpo
para não mergulhar nas minhas lembranças;
mas agora já é tarde.
Não vão sair.

Precisava apenas não voltar prá casa
sem qualquer motivo,
apenas um vazio que se acentua a cada palavra
na estréia dessa pena
nesse poema tão sem destino.
Me dói estar em casa porque tenho a certeza
de toda a realidade dos últimos dias.

Precisava apenas de um outro lugar; apenas nesta noite.
Mas sozinho nada tem significado em minha vida.
Então voltei prá casa,
prá escrever e me lembrar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

escrevendo...

Estou escrevendo uma história não apenas de palavras,
uma história que quase não começou ainda,
mas que já não consigo ver o fim...
Ela se permite histórias,
se permite poesia, se permite a tinta de minhas canetas
e as páginas em branco do meu blog.

Entretanto...

o que mais encontro nessa história são abraços,
sorrisos, desejos, promessas, mordidas,
olhos nos olhos, dedicatórias, caminhos,
verdade, confiança, carinho, cuidado,
certeza, fins de semana, mensagens de celular,
conforto aos medos, mãos dadas,
beijos... eternidade.

Uma história que caiu nos meus braços e
desde o primeiro minuto soube que a queria escrever,
sem saber a cor da tinta ou a textura do papel...
e em meus rabiscos acabei encontrando o caminho
perfeito do papel...
A tinta que uso nessa história tem a cor de desejo,
o papel tem a textura de suas mãos quando tocam meu rosto...
as palavras que surgem têm o sabor dos seus olhos
quando parados me olham
e quando quietos
me deixam penetrar por eles.

Uma história que se renova toda vez que você sorri,
como se começasse mais uma vez,
sem esquecer o que já está escrito,
cada vez mais forte,
cada vez mais intensa...

Cada poeta tem o direito de escrever apenas uma história perfeita
e na minha ainda existirão infinitos momentos,
uma eternidade a te dar bom dia
todos os dias de manhã para te ver sorrir...
É preciso paz para viver a única história que se vive realmente,
e você me dá paz,
você é esta história única...
minha história, que eu escrevo todos os minutos de minha vida
e por toda a minha vida...

São suas,
cada uma das minhas palavras,
e serão minhas as suas,
sempre que eu precisar delas.

E se são suas,
te deixo apenas uma palavra
amor...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

...

Aprendi que
quando se ama
o amor cura toda ferida
o amor espanta os fantasmas
o amor traz a alegria plena...

Descobri, a mais perfeita das descobertas,...
Natália Possas...

te amo,..


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Em Tempos

De tempos em tempos o mundo percebe que está em guerra,
guerras loucas e desmotivadas,
perdidos...
medos...
tudo destruindo-se...
O amor se foi,
o respeito se desmancha aos poucos
e parece que não irá sobrar nada.
Só nasce dor, medo, sensações confusas.

A liberdade torna-se um artigo em falta,
me recordo de quando ainda podíamos sonhar
de quando podíamos acreditar em algum tipo de verdade,
em algum tipo de sabedoria,
em algum tipo de amor...
Acreditamos em máquinas,
pensamos com elas,
nos intermadiamos por elas
ao invés de falar pessoa a pessoa...

As palavras somem, uma a uma,
sentimento a sentimento,
momento a momento,
olhar a olhar...
pensamos bem pouco agora,
ouvimos barulhos demais
e respirações de menos,
vemos carros demais
e sorrisos de menos...
e a cada dia então,
acho que não vemos mais nada,
nem ouvimos
nem sentimos
nem pensamos
nem sabemos...
e...
apenas...
passamos por aqui sem saber ser.

Em meio a esta fumaça invisível
é possível
sentir respirações ofegantes
que não se cansam de não parar de gritar
com mudas palavras
que ainda é possível amar,
que ainda é possível viver...
Em meio a toda essa poeira que se deposita em nossas almas
eu encontrei
minha respiração ofegante
em seu sorriso,
pude sentir minhas mais profundas verdades,
conhecer meus sonhos,
crer no amor,
sentir o amor,
escrever o amor,
amar...

Você é a minha liberdade que jamais será roubada
ou apagada,
ou qualquer coisa que não seja
ser eternizada.
Sua voz é a música de que meus ouvidos precisam,
seu sorriso é a única verdade que minha alma anseia,
sua presença
é o que eu sinto de mais perfeito,
como um, apenas um
nós dois,,,

De mãos dadas sobreviveremos à poeira
do despensamento
e do desejo de mais nada que assola o mundo.
De sorrisos abertos poderemos usar o nosso amor
de forma que desperte e ensine mais amor
aos que já esqueceram ou nunca souberam de sua existência.
Com nossas palavras poderemos ser ouvidos
e quem sabe entendidos
ou até mesmo percebidos
pelos corações perdidos em palavras mecânicas e numéricas
e juntas nossas palavras
se tornam caminhos,
caminhos que percorremos e compartilhamos.

Você é a liberdade dos meus olhos de olhar além do infinito
e encontrar a essência da vida que ainda habita os corações dos homens.
Você é o mais profundo segredo que
jamais desvendado se torna na mais profunda verdade encontrada.
Você é mais real que a eternidade,
mais tangível que as palavras,
seu rosto está mais próximo de minhas mãos
que o meu próprio.

E em um mundo de desverdades perdidas em sonhos sem caminhos
há encontros que brilham tanta luz que ensinam sem ensinar nada
que a história ainda é possível
e que quando escrita sobre corações dispostos a amar
ela se torna indestrutível,
assim como o que sinto por você.
E as palavras não desgrudam mais
e se expandem por toda a imensidão do tempo
e da poesia,
uma poesia encontrada em meio a perdidas certezas,
encontrada quando você sorriu e não parou mais...

Você é o caminho que eu sigo,
que eu persigo,
o único que desejo
porque sei que a loucura toda da minha poesia
nascida nas poeiras apagadas da humanidade
cabe nesse caminho
e nele se tornam luz.
Minha luz, sua luz.
Uma imensidão que jamais irá parar de brilhar
e se expandir
uma luz da qual nascem sentimentos
imensuráveis e indescritíveis,.,..
e em cada beijo nosso de puro amor
o mundo respira
e crê ainda na humanidade...

Nos tornamos então
um momento único de amor,
de puro amor
do qual a humanidade jamais se esquecerá...

domingo, 25 de abril de 2010

Fim de semana

... e eu esperava por sábado...
um sábado que não demorou, mas foi gostoso esperar.
um desejo, uma ansiedade, uma insegurança;
um reserva que quase não rolou por falta de crédito no celular...
...
enfim sábado.
Toques, retoques, palavras, muitas palavras,
massagem, espirros,
cama,
chuveiro,
comida barata,
sabonete cheiroso,
chocolates de coração...

Desejos, realidade e sonho se transformando em uma coisa só.
em euvocê.
Um único sonho e uma única certeza então
somos um.

Uma noite perfeita
feita prá nós dois
dois em um
um sábado incrível
incrível como combinamos
combinamos de voltar um dia
dia nublado que troxe felicidade
felicidade plena de estar com você
você é tudo de que preciso
preciso de mais sábados...

As palavras que não eram minhas
e que por tanto tempo esperei vieram...
vieram lindas e perfeitas e
me deixaram feito bobo...
bobo poeta que se recorta em palavras...

Quero tudo de novo,
como se nunca acabasse...

Te amo.............

segunda-feira, 19 de abril de 2010

correria

acordar cedo
muita coisa pra fazer
pouco tempo
computador antes das 8
olho ainda incomodado
uma mensagem de bom dia dela pra me deixar mais feliz....
restaurantes que não atendem
o Central é super enrolado
correria pra dar tempo de pegar o ônibus
cartucho da impressora queimou
puta que pariu não deu pra imprimir
mais mensagens dela para alegrar minha manhã
corro atrás do ônibus
Central tá fechado
restaurante o dono não tá
nem no outro
nome da dona errado
stress - olho doendo - sol forte
indo de um lado pro outro
sócio tranquilo
me lembro dela... lembro... lembro....
dia a dia e correria
rua cheia
banner barato
gráfica não deu resposta
ninguém quer patrocinar
devo ver ela depois das quatro, é o que mais preciso...
chego em casa cansado
almoço
computador de novo
blog
e-mails que não chegaram
poema louco
foto da nat
foto da nat
foto da nat
sorriso
fico bem
o olho ainda dói
espero que a tarde seja mais calma
ou que eu consiga mais coisas
espero que ela tenha 10 minutos prá mim...
preciso, todos os dias preciso de você...

domingo, 18 de abril de 2010

Estou imerso em meu silêncio,
envolvido em trabalho,
ouvindo uma música estranha que vem da casa ao lado.
Não ligo a minha música,
não sei porque.

Estou trocando e-mails de algo que não está ficando muito bom
mas ela está do outro lado
olhando por mim.
E quando recebo suas respostas,
é como se sua voz invadisse minha alma
e me fizesse flutuar sem destino
perdido entre as nuvens, o sol e calor.
Então sinto o calor de seu corpo,
o vento suave de suas palavras aos meus ouvidos,
o toque sutil de suas mãos...
Sinto-me pleno...

E mesmo que o trabalho não fique muito bom,,,
ela vai gostar...
e se gostar...
que o mundo inteiro goste,
pois todo mundo de que preciso
se chama Natália...

sábado, 17 de abril de 2010

Posso passar o dia inteiro esperando um sorriso que só chega na hora de ir embora,
posso falar palavras que eu não devia
não gostar muito de empregos,
não saber ser professor;
ou posso simplesmente parar de pensar em qualquer coisa
e apenas escrever.
Preciso,
desejo,
devo escrever,
todos os dias, mais do que ar,
mais do que verdade,
mais do que eu mesmo,
eu preciso escrever.

Eu passo o dia inteiro aguardando a chegada do seu sorriso
porque isto é a única coisa
de que eu preciso mais do que as palavras....

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pequenos Desejos

Agora, desejo apenas um beijo,
sem compromisso com a hora de ir ou de chegar.
sentir o calor de seu abraço e
não precisar me soltar de você.

Quero apenas suas palavras mais simples,
que saem sem querer mas me fazem um infinito bem.

Quero seu cheiro,
quero seu gosto,
quero seu tempo,
quero seus sonhos
e seus desejos...

Hoje, eu gostaria de estar ao lado seu
e não mais sair
mesmo que para isso
nossos corações precisem estar ligados por toda a eternidade.

Agora, quero apenas o seu sorriso aqui ao meu lado
ou saber que ele estará aqui
quando você ler o meu blog.

Porque o que quero para o resto de minha vida
se chama você.


Para Natália Possas

A Dois

Foi a dois que eu senti pela primeira vez
o verdadeiro sentido da palavra liberdade,
sendo assim,
descobri que ser livre é
poder amar sem medo e sem insegurança.

Uma mão que segurou a minha
na esquina de uma rua
depois de um beijo roubado
me fez tão bem
que ainda a seguro até hoje
e penso em fazer isto todos os dias,
mesmo naqueles em que a toque
apenas em pensamentos.

Foi a dois que a vida se mostrou
infinitamente bela se se fez valer apena
como nunca tinha valido antes,
e aprendi que sou capaz de sentir e pensar tantas coisas
que jamais conseguirei explicar,
mas juntos talvez saibamos
um dia contar a história que escrevemos
a cada verso, a cada beijo, a cada olhar,
e a cada palavra que dizemos um ao outro.

Dizem que escritores são solitários
e se isolam para poder escrever,
mas na sua companhia eu escrevo mais
do que antes,
e é tão bom escrever
porque sei que você vai gostar de minhas palavras.

Foi a dois que aprendi a falta que as palavras me fazem,
mesmo que eu possa pronunciar todas,
mesmo que eu possa inventar as palavras que eu quiser.
Agora as suas palavras são tão importantes
para mim quanto as minhas.

Foi a dois que eu descobri o verdadeiro significado da palavra amor

terça-feira, 13 de abril de 2010

Entre Estrelas

Moro entre as estrelas, bem próximo a elas,
escuto seus sussurros,
seu cheiro,
toco nelas quando caem
e com isto os meus desejos
se realizam e saltam para a minha mão.

Toquei em uma estrela gigante e desejei
sentir algo que jamais tivesse sentido,
maior do que eu,
maior do que o meu entendimento.
A estrela me atendeu.

Hoje peço que elas te mandem recados
de boa noite,
que levem beijos,
e que se não puderem descer até você,
que sua luz brilhe mais forte ao ver você passar...

Entre as estrelas eu descubro todas as noites
o quanto te quero do meu lado,
seu cheiro,
seu silêncio,
sua cabeça encostada em meu ombro,
seus poemas,
seu sorriso que é capaz de brilhar mais do que elas.

Hoje estou cercado de poucas estrelas,
minha cabeça dói e não conheço a causa.
Então deixo que as palavras iluminem
a minha noite
porque sei que elas sempre remetem a você
e sendo assim
não precisarei de mais nada
e poderei pintar as mais belas estrelas no céu
e estas serão só minhas,
para que um dia eu as possa dar a você,
uma a uma.
Estou cercado de montanhas,
e sobre uma delas;
vejo o sol nascer
vejo o sol se por
vejo vidros empoeirados
vejo palavras escritas que dialogam comigo o tempo todo.

Estou cercado de segredos
que resmungam o tempo todo,
cercado de amigos
verdades e
mentiras...

Vejo a vida passar,
clara e objetiva,
e a vejo também obscura
e escondida dentro de suas histórias.

Estou cercado de histórias e de vozes de personagens
que costumam nunca se cansar
e nunca desaparecer
até que eu os escreva.

Estou cercado de palavras suas
que me acalentam e alimentam minha alma;
estou invadido por elas,
perdido no meio delas.
vejo seu rosto em cada vírgula,
sinto seu cheiro nas metáforas
que quase não uso mais;
me confundo com você
em minha sinestesia desconexa
em meio a tantas palavras
e a tantas lembranças,
que a cada dia se tornam mais,
que a cada dia se tornam indispensáveis,
que a cada dia se tornam eternas;
que a cada dia nos tornam um só.

As montanhas se calam diante do seu sorriso,
o sol se torna mais lento ao ouvir seus poemas,
o vento se torna brisa
e a brisa me traz o desejo do toque seu.
Meus personagens se afastam quando toco em seu rosto,
minha literatura se torna sutil e objetiva,
minha ficção e minhas dúvidas desaparecem
no mesmo instante em que fecho os olhos e penso em você.
É tudo uma verdade tão absoluta,
tão insofismável, tão bela,
tão silenciosa e mansa.

Sou eu que corro em volta da minha verdade,
tentando arrancar dela palavras,
desejos, sonhos e momentos perfeitos.
Sou eu que paro cansado
e tenho nela meu conforto
e minha segurança...

As montanhas dialogam comigo sobre o tempo,
um tempo que eu não sei respeitar.
Ouço o seu silêncio e
tento entender como entender o silêncio
se o meu coração grita
e quer que o seu também grite.
Transfiguro minha linguagem em versos indialogados,
me perco eu seu percurso
e domino a perda.
Só não domino meus instantes de saudade
que nunca param de chegar;
estou longe da esquina que viro quase todos os dias,
por isso a saudade é maior.

Estou entre as montanhas,
silencioso poeta
que não sabe fazer mais nada além de escrever,
e escrevendo
tenho você comigo o tempo todo,
por toda a vida,
por toda a infinita e desconhecida eternidade...

sábado, 10 de abril de 2010

Fade

Fade

Fecho os meus olhos e a escuridão me traz o seu cheiro

em um momento rápido e único.

Tudo é silêncio.

Apenas a sua voz me envolve.


Lentamente eu os abro em uma claridade que chega de mansinho

e posso saber que

você está em algum lugar e

isto é o mais importante para mim,

existir com você.


As cenas se passam uma a uma,

trabalho, dança, computador,

sono, filmes, pessoas chatas,

idéias que surgem o tempo todo...

você. Que sempre aparece no meio delas,

mais importante do que elas,

mais desejada do que elas,

mais real,

mais tangível,

mais amada...


As cenas são diversas,

mundos quebrados,

velozes demais, pessoas em lentidão absurda,

medos e sonhos que não se realizam,

desejo de compreensão do tudo e do nada,

palavras que escorrem pelas mãos o tempo todo...

as cenas mudam de uma para a outra e às vezes se sobrepõem.


Sempre escuto meu desejo que pede um fade,

e de olhos fechados

sempre vejo você em meus pensamentos,

em meus desejos

e em minhas certezas...

um único sonho que se realiza todos os dias...


E de olhos abertos

vejo seus olhos e seus sorrisos,

sinto seu calor e seu frio,

irrito você, amo você, quero esse tempo congelado e pra sempre...

e de olhos abertos quero fugir com você

para que eu feche os olhos e encontre

momentos inesquecíveis...


Fade

estou de olhos fechados

pensando em você.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Conheço um número pequeno de palavras,
as conheço pouco.
Uso muitas e muitas vezes cada palavra
que até dizem que sou um escritor,
e eu acredito.

Conheci uma menina que não pode ser descrita em palavras,
mas a descrevi em olhares,
em abraços...
Ela que me encanta a cada segundo
e me mostra como é belo o amor
que traz ainda mais o amor à vida
e às histórias que sempre nascem de dentro de mim.

Descobri em seu blog,
suas lindas e doces palavras
que a cada dia se aproximam mais de mim
e me deixam tonto, sorridente e com cara de bobo...

E assim descobri o sentido da vida,
sentido simples
sentindo amor o tempo todo,
que nunca acreditei que fosse pra sempre,
até agora... que o conheci imortal.

Se te ensinei alguma coisa,
ensinei apenas que te amo
e te amando sou feliz.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Com o tempo

Quando olhei pela primeira vez em seus olhos
não pensei em destino,
nunca penso.

Quando toquei em suas mãos
eu não esperava segurá-las para sempre,
nunca espero estas coisas.

Quando senti o seu cheiro
eu sabia que estava perto,
só não me atrevi a pensar em por quanto tempo.

As batidas do coração mudaram o ritmo,
as mãos apertavam cada vez mais.
A respiração era cada dia mais profunda.
Isso mexeu com os meus sentidos,
despertou o mais profundo e mais forte
lado da minha literatura.
Comecei a sentir saudade todos os dias,
a me lembrar de seus rosto o tempo todo,
a desejar o seu beijo,
a esperar pelo som da sua voz...

Quando eu beijei você eu não sabia se ia passar de um beijo,
mas eu já queria isto.
E a cada dia eu quis mais, mais e mais...
Tentei te arrancar algumas palavras (ainda tento às vezes).

A cada dia o meu desejo e
tudo o que sinto aumenta de forma incontrolável.
E de tanto desejar,
você se tornou eterna.
E de tanto ter certeza nessa eternidade
você se tornou meu destino.

terça-feira, 9 de março de 2010

Um silêncio estranho me controla
escrevo devagar e calmo
penso bem devagar...
Um dia, quase como outro qualquer,
uma hora sentado em um sofá
significados que a eternidade jamais poderá escrever...

Uma calma alegre me deixa leve
e me traz uma brisa apaixonante,
meus olhos, minha mente, minha poesia,
meus sonhos, meus desejos, minhas histórias...
têm apenas um destino...

Seu destino.

Os dias passam mais devagar e
todas as noites deixo o telefone ligado
esperando um telefonema,
mesmo que me acorde,
é como um sonho que se realiza
quando sou acordado por sua voz...

Tantas coisas tenho ainda para dizer
e nem preciso,
você vê através dos meus olhos,
e eu me deixo ser visto...
ser seu...

Para mim, para você, para o tempo...
uma eternidade de palavras
e de verdades que te digo todos os dias,
mesmo quando você não está perto de mim...
Um coração silencioso de tanto amor
que não precisa mais gritar...

Mais um rabisco no blog
que sei que você vai ler...
e isto é tudo de que minha poesia precisa...
de seus olhos...
de você...


domingo, 7 de março de 2010

Simplesmente você

É como se tudo não passasse de um simples segundo de luz intensa,
uma luz que dura por toda a eternidade
e um segundo que fica tão marcado que se torna tudo o que preciso.
É simples assim.
Um segundo,
uma imagem,
um nome.
Não preciso de mais nada.
Exatamente nada.

A vida passa a existir somente em uma pessoa,
calma, lenta, silenciosa, 'exagerada'
viva,
tão e mais viva do que jamais foi
e me sinto capaz de viver para sempre...
meus poros transpiram literatura
e toda ela tem apenas um nome.

É simples assim
como uma brisa que passa suave pelo rosto
ou uma foto que recebemos por e-mail...
dividir uma garrafa de água na boate,
beijar você perto do lixo,
sentir saudade um minuto após deixar você em casa...

Tão simples que se torna eterno,
indivisível,
imcompreensível
perfeito.

Tão simples que perco as figuras de linguagem
e falo de forma direta e limpa
palavras comuns,
sorriso interminável
que todos os meus amigos percebem...

É simples,
tão simples como a eternidade,
tudo o que eu sinto por você...
simplesmente amor...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estranho

Estranho como um homem como eu,
que conheço muita gente, muita mesmo;
consigo sentir saudade apenas de uma pessoa,
todos os dias...

Estranho como eu me sinto
cada vez mais distante
enquanto tão perto,
por vezes tão intenso
e sempre é tudo tão calmo,
deliciosamente calmo...

Estranhos os meus olhos enfeitiçados
pelos seus sorrisos
e meus ouvidos pela sua voz.
Estranho desejo,
estranho silêncio...

Estranho como minha poesia é toda sua
há tanto tempo,
e não sei por quanto tempo,
talvez prá sempre se me for permitido...

Estranho eu fazendo poemas no blog
sem usar a caneta
sem precisar da lua,
ou de mais nada.
Estranho, porque tudo o que preciso já tenho;
mesmo que um dia acabe,
valeu cada segundo...
e que os segundos sejam eternos...

É estranho eu falar de amor todos os dias,
mas é que ainda não tenho certeza
se posso passar a usar seu nome em meus poemas...
estranho como você ainda está perto de mim,
sei que não sou do tipo que se apresenta à família,
sou só do tipo que se lê,
porque escrevo todos os dias...
todos mesmo...
talvez só porque sei que você irá ler...
e isto me basta...

A única coisa que não me é estranha
é o fato de eu ter me perdido
de amor por você,.,.,
Socorro! olha como já estou escrevendo...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Boa noite

Boa noite minha linda,
porque nesta noite não me importa saber do tempo
que não existe mais,
não sei as horas,
não conheço meu destino
não escuto as minhas palavras
porque não preciso de mais nada.
Não fui à janela ver a lua,
não sinto calor ou frio
nem a perna queimada pelo sol de ontem...
tudo é silêncio e paz dentro de mim,
tudo é segredo,
tudo é desejo.

Depois de ter me visto em seus olhos
não me importa mais o tempo,
os segredos,
as verdades,
ou sequer a eternidade;
o que me importa é querer ver-me
mais uma vez em seus sorrisos
e acreditar que sou eu mesmo
que consigo arrancá-los de você.

Boa noite minha querida,
que ainda me resta muita noite,
e minha caneta me fará companhia,
silenciosa e fiel,
ajudando-me a escrever e
a me lembrar de você.
Todas as minhas palavras serão suas,
mesmo antes de eu as escrever
pois elas vêem de um lugar bem fundo,
e bem no fundo tudo pertence a você.

Boa noite pessoa incrível
que roubou os meus sonhos
e me devolveu inspiração.
Boa noite meu anjo lindo,
cheio de sentidos e silêncios,
infinita a noite
e infinita a poesia...
infinito o meu coração.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

hoje

Hoje quando eu vinha pra casa, voltando do rafting, vi o sol se esconder atrás de muitas nuvens que, com um buraco para baixo, projetavam uma luz âmbar linda. Fiquei encantado com a beleza. Ao chegar em minha rua, vi ele se escondendo atrás das montanhas e projetando reflexos que faziam listras azul clara subindo em direção ao infinito (coisas que só se consegue ver aqui bem do alto). Fico pensando que, posso transformar tudo isso em poesia e um dia não me lembrar mais das imagens que vi nem do que senti quando as vi. Sempre tive essa força, talvez não seja esta a palavra certa mas é a que me ocorre no momento, sempre pude transformar os sentimentos em palavras e deixar que desaparecessem de mim. Hoje eu me pergunto o quanto eu gosto disso. Posso criar os sentimentos para a minha poesia e toda a minha literatura. Mas para a minha vida nunca os pude criar. E não quero.

O mundo está mudando rápido. As pessoas estão mudando muito rápido. Ficamos parados, olhamos, mudamos com eles; e tudo acontece como se não tivéssemos o poder de mexer nas coisas. Não temos realmente, mas temos o dever. Minhas palavras são as minhas asas e meus atos a minha segurança de o que e quem eu sou. Ficamos parados diante das adversidades, ficamos lentos e festivos demais... a cada dia olhamos mais para dentro e deixamos a vida perdida, e olhando para dentro de uma forma egoísta não enxergamos nossas verdadeiras essências, nossas verdades. Porque tudo o que somos está ligado ao que fazemos, dizemos e acreditamos, e, principalmente, ao que sentimos.

Se posso falar de amor? Qualquer tipo de amor só existe quando aceitamos que não precisamos ter o controle e o descontrole de tudo. Que não precisamos jogar tudo pro alto, que não precisamos ter medo... não é preciso nada, apenas respirar bem fundo e deixar que a vida faça o resto. E quando sentimos esse amor que penetra nossos olhos vemos o mundo de uma outra forma. Mais real, mais intensa... e brincamos de ser anjo, numa brincadeira tão sincera que se torna realidade. Podemos muito, devemos muito e precisamos de muito mais... tá tudo quebrado, tá tudo confuso e somos nós os responsáveis por cada segundo de vida. Por cada sonho que se desfaz, por cada coração que se encerra em ódio e angústia. Há uma vida muito intensa dentro de cada um de nós que podermos esquecer se nos limitamos a ver apenas o que acreditamos conhecer. Somos falíveis em medo, insegurança... somos crianças perdidas que não erguem a cabeça por medo de ver o que deixou ser criado.

Ao erguer os meus olhos vi o sol que desenhava no céu e na terra, vi o amor que acreditei estar escondido em mim e nunca esteve escondido, mas escancarado. Vi o tempo que passa rápido e a humanidade cada vez mais impiedosa, cada vez menos amor. Sou filho do tempo, herdei dele as palavras. Que seja eterna a minha poesia, mesmo que ninguém a leia, que seja eterna a minha verdade, mesmo que ninguém acredite nela. Que seja eterno o meu amor, mesmo que que só meu; e que eu seja eterno quando sei que posso criar e recriar tudo, até o que está estragado, mesmo que não queiram que eu o faça.

Aos que lerem isto, desculpem a forma confusa como coloco as minhas idéias. Com minha cordialidade, fico grato que tenham lido..

Trajano Amaral

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Linda

Linda,
se eu pudesse eu roubaria um pedaço da lua
que está tão perto de mim
pra poder te dar...
mas minhas mãos não alcançam a lua,
espero então que minhas palavras alcancem o seu coração,
que meus beijos alcancem seus lábios,
e que nossos sorrisos se encontrem à luz da lua
imóveis e eternizados em nossos olhares.

Linda,
se eu conhecesse os seus sonhos
eu os realizaria, um a um,
só pra ver sua alegria a cada vez que os entregasse a você.
Não conheço os seus sonhos,
não desvendo os seus segredos,
não invado o seu mundo,
mas me permito invadir sua poesia
e deixar que a minha seja invadida por você;
e assim,
dedico a você meus sonhos,
meus segredos e meu mundo...

Linda,
se o amanhã for tudo o que construímos
já não preciso mais de um amanhã,
me basta apenas o hoje
por saber que em breve estarei ao seu lado de novo,
que seja por poucos minutos,
num ponto de ônibus,
num bairro distante...
me basta saber que você está em algum lugar...

Linda, minha linda (se é que posso chamá-la assim)
estou ao lado de uma janela
e em algum lugar está você,
e em algum dia estaremos nós dois...
sei que o amor não é uma palavra pra ser usada corriqueiramente,
mas quem disse que os poetas respeitam as regras?
Palavras são palavras,
o significado está no cheiro que elas têm,
e quando escrevo a você
todas as palavras cheiram a amor...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Festa de Aniversário

O cheiro do doce foi profundo e deixou Pedro com água na boca. Mas estava cedo e ele não podia começar a comer antes de todos os convidados chegarem. Foi à janela para ver as crianças que chegavam. Logo foi possível escutar o barulho das que cruzavam a sala atrás dele, correndo, gritando e sorrindo. Pedro então foi para a outra janela, ainda maior e ainda mais bela. Havia muito cheiro de guloseimas, mas ele conseguiu sentir apenas o cheiro da luz que já despontava imponente e solitária mesmo antes do sol se pôr por completo.

Festas de criança são mesmo meio chatas, mas em família tudo tem o seu valor. A luz incomodava os olhos e os ouvidos de Pedro que escutava o seu canto silencioso. Estava confuso. Estava certo de tudo. Este era Pedro, desencaminhado, quieto, silencioso. E a festa começa. Ele conhece os convidados, os trata com simpatia admirável; sorri. Serve. Come. Mas Pedro ouve sempre o canto silencioso da lua, que não cessa. Falta alguma coisa, e ele sabe disso. Talvez falte alguém e por isto Pedro se sinta tão sozinho, por isto talvez ele se sinta tão atraído pela lua.

Crianças correm, caem, se molham de refrigerante. Pessoas conversam, riem. Pedro também ri quando vê alguém se sentar num prato de salgadinhos. Uma estranha agora, já há estranhos na festa. Todos se tornam estranhos, se tornam vultos, se tornam vozes. Mas Pedro enxerga um rosto, um único cheiro, um único sorriso e um único toque nas mãos.

Sozinho, Pedro tenta sentir o cheiro de bolo, canta parabéns, chama de puxa saco pelo primeiro pedaço, come, passa cobertura de bolo em alguém, mas a brincadeira não se estende. Pedro não queria estar só, mas não teve escolha, não soube convidar. Pedro respira. Pedro sorri. Pedro descansa um pouco em seu quarto.

O silêncio lentamente se aproxima. A festa termina. Pedro come salgadinho frio e bolo amassado guardado num pote de plástico. Todos dormem. E Pedro vai outra vez à janela. Ele e a lua se olham. Ela canta para ele e ele escreve nela.
"Não é que eu não saiba exatamente o que eu sinto,
é que os verdadeiros sentimentos não precisam
ser compreendidos" - Pedro

A janela se fecha. Ele desce com um pote de salgadinhos frios e vai para o quarto dormir...

noite...

É, a noite tá linda... meu céu tem muitas estrelas
bem próximas de mim...
ela me pediu poesia,
dispenso a noite, dispenso as estrelas,
preciso apenas de sua voz em meus ouvidos
de sentir sua respiração contra o meu corpo,
seu cheiro...

Sei que são vãs as poucas palavras,
histórias rodeadas de histórias, de percepções...
a noite sempre surge bela e aguarda poesia
e a poesia se desponta em meio às estrelas
e aos seus sorrisos,
pois como diria o colega,
“o que pode uma criatura, senão entre criaturas amar”

Os poetas sempre se perdem em meio às palavras
e estar perdido não traz pressa,
traz intensidade...
as palavras se delineiam em gestos, toques e abraços,
de tudo que um dia não se sabe quando vai acabar,
ou quando vai começar;;;
sinceras palavras, antecipadas palavras...
escritores se antecipam ao tempo e à verdade...

Gosto de escrever nas estrelas, escrever na lua,
poemas que escreveria em sua pele,
e que não precisam ser escritos em mim...
gosto de jogar a vida prá cima e deixar que ela despenque
da forma que for,
que caia e se levante diante de meus olhos abertos ou fechados.

A noite é sempre linda
e espero que as estrelas que me vêem
estejam vendo você,
sorrindo prá você e trazendo seu sorriso prá mim....
se você me pede poesia,
que se faça a poesia,,,

Escrevemos ao mesmo tempo, um lendo o outro,
em nossos blogs,
o que vem de algum lugar, que talvez saibamos de onde,
ou talvez jamais venhamos a saber.
E jogar-me no desconhecido, é algo admirável...

Aguardo seu poema assim como aguardo minhas últimas palavras,
são palavras que me encantam
vindas de um coração ainda desconhecido, inibido...
aguardo a resposta das estrelas
as palavras que trazem prá que eu finalize o poema,
mas as estrelas não falam, e não vou plagiar suas palavras,
me inspiro, me refiro a você de forma direta e nem um pouco sutil...
me escrevo e reescrevo em inúteis versos,
me encontro e desencontro em meus desejos,
me recomeço, me aventuro, me despeço de prisões e de perdas.
Alço vôo, mesmo não sabendo como pousar...
porque corro o risco de ter que voar para sempre...

E me despeço em palavras,
terminado o poema...
e deixo um beijo encantado,
da cor das estrelas e com o cheiro da lua,
que toca seus lábios
e se desmancha em luz...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pra que ter pressa
se o tempo pra mim passa tão rápido
que não consigo pensar em respirar
sem me lembrar de você.

Pra que ter histórias pra contar
se vivo, de forma torta
a minha história predileta.

Não consigo me esquecer dos minutos que ficam gravados,
e são repetidos... repetidos... repetidos... repetidos...
e de quantos minutos faltam pra te ver novamente.

Mais um soneto que achei que os tinha esquecido como fazer.
Pequeno poema pra um sentimento de proporções desconhecidas...
algo que já temo que seja amor
e coube em pequenos catorze versos.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Essa musica sempre está aqui nas horas certas

12.wma

Minhas Palavras

Minha cabeça está afetada por palavras estranhas,
desconexas.
Extremamente afetada, extremamente confusa.
Extremamente palavras.

Após anos de escrita madura, calma, ponderada,
lenta e delicadamente pensada,
meu escritor insano foi acordado,
subitamente,
indefinidamente...
as palavras voam à minha volta,
meus personagens estão por todo lado,
como fantasmas, como realidades...

Balanço a cabeça, perco a direção,
escrevo no blog e dispenso a caneta,
pra não dizer mais uma vez que sangro nanquim...
mesmo porque minha caneta tinteiro quebrou...
ouço música alta, penso em palavras
e somente em palavras...
e são tantas que interminavelmente não consigo sair do meio delas.

Deixei me acordar este elo perdido,
talvez não pelo perdido,
mas por quem viesse acordar.
Veio.
Acordou.
E minha muralha de palavras se desmoronou
deixando-me vulnerável.
Intermináveis palavras, eternas e imortais.
Palavras sem fim contando histórias que não existem.
Infinitas palavras;
tudo o que tenho;
minhas palavras...
que parecem me mergulhar num poema sem fim
e não me deixam fazer mais nada...
minha poesia, fiel e leal...

Eu gostaria de ter quatro mãos para escrever um poema,
uma história,
ou uma coisa qualquer,
mas sempre encontro apenas duas,
as minhas,
recheadas às vezes de tempo,
de silêncio
e de mim mesmo.

Tudo despejado ao mesmo tempo, e muito rápido em minha cabeça
funde a minhas funções neurais,
mas enfim,
vou sobreviver?
Não. O que é eterno não precisa sobreviver a nada.

Quem não me conhece pensa que estou cheirado,
bem, talvez esteja.
Cheirando palavras, o único cheiro que nunca se vai.

De muralha desfeita e alma exposta
aguardo o momento em que tudo se reerguerá
lenta e silenciosamente,
como eu.
Mas desta vez não deixarei que adormeça
a loucura de minhas palavras.
Nasci escritor compulsivo,
fui criado a pedaços de revistas em quadrinhos
com histórias faltando pedaços...
Fui criado olhando apenas para mim
e descobrindo o meu infinito e indomável universo.
E como diria Drummond,
"Tenho apenas duas mãos e todo sentimento do mundo"
Já tenho as mãos meu colega...

Aos bons, que seja data a pureza;
aos loucos, a liberdade;
aos cruéis, a sabedoria;
aos covardes, a sorte;
aos heróis, o amor.
Aos poetas, já foram dadas as palavras,
e se não bastar,
que inventem mais.

As páginas rasgadas das revistas
alimentavam a minha mente,
os espaços vazios em meu coração
alimentam as minhas histórias...

E assim adormece o poeta,
revestido em um lençol de silêncios.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

...

Que tu possas me abraçar com a mesma força que te vejo,
que eu possa encontrar as palavras
da mesma forma que encontro os sorrisos seus.
E assim então disperso em mais nada
nada mais que esse momento,
que a lembrança do cheiro dos seus cabelos;
a lembrança do cheiro das palavras que eu não te disse.

Que possas entender os meus rabiscos,
entender os meus motivos
entender minhas palavras.

É uma pena que eu não perca o controle.
É uma pena que eu não pegue nada sem pedir.
É uma pena que eu não encontre caminhos de dizer as palavras certas.

Que tu possas sonhar
enquanto eu escrevo,
que tu possas amar...
e a cada dia
sentirei a luz dos seus sorrisos,
infinita e adormecida...