terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

eu sou o futuro


O que me matou
me fez parar de escrever
não foi a doença da depressão ou ansiedade
não foi a pobreza o desprezo e medo do mundo
não foi meu coração ou minhas células
não foi a loucura dentro de mim
o que me matou
foi o presente e a certeza de estar nesse mundo
nessa sociedade
em que minhas palavras giravam num círculo infinito
infinitas mas se acabando em um fim que era o começo
e foram se apagando e sumindo da minha alma
que sumia com elas por ser parte delas
o que me matou
foi eu querer ser como os outros todos
acertado e seguro com dinheiro no bolso
não que eu não possa me acertar e assegurar ou ter dinheiro
mas o que mata é fazer do benefício ilusório o seu objetivo
porque aí a alma perece sem motivo
já que o mundo me faz acreditar que ganhei
só que perdi a mim mesmo e morri
o que me matou foi a ilusão de que a vida pode ser explicada
e que eu a explicaria
mas eu nem sabia o que falar pois a vida sumia de mim
e eu falava menos e repetia mais
e eu tinha todas as palavras e todas fugiam de mim
o que me matou foi esquecer-me de mim
eu sou o futuro e o passado
sou a insanidade do tempo quando se nega a passar
e com isso constrói a eternidade
eu sou as palavras ditas e não ditas
as conhecidas e desconhecidas
as lembradas e as apagadas da mente pequena
que crê na mentira de conhecer o mundo
através de um mundo que não existe
o que matou
esqueceu que sem tempo eu sou imortal
insano tempo da eternidade não explicada aos atemporais a você
insana mentira que nos abraça e faz crer na proteção
mas que suga nossas almas para se tornar ainda mais parecida
com nossos sonhos e desejos e os engana ditando o que nunca quisemos ser
o que me matou
se desfaz e volta a poesia cheia das palavras que nunca perdi
sem regra alguma e nada que pare a energia de vida
eu sou como o tempo e pertenço ao amanhã
porque o passado é história e o conto
e o hoje é feito de palavras e então eu tenho todos eles
que não irão se apagar em minhas mãos de poeta
o que não me matou tentou me matar
mas se esqueceu da poesia que não vem de lugar algum
e por isso está em tudo e nunca sucumbirá
à ilusão de um tempo perdido
e agora eu compreendo que estou em todo lugar e em todo momento
em mim e em cada um fora de mim
pois quanto mais longe mais dentro
eu sou o futuro e vou convidar você a ir comigo
onde o mundo não engana mais
e esse futuro nasceu escondido em seu coração
e é preciso acordar
não amanhã e sim agora
no tempo das minhas palavras

sábado, 11 de maio de 2019

Alimentamos as flores do ódio com as gotas do nosso egoísmo,
quando pensamos que é só nosso o direito
e que temos todo o direito sobre tudo.

Somos fadados a destruir vidas e sentimentos e histórias
porque queremos ter tudo para nós...
E sós,  caminhamos nossa estrada egoísta
cheia de torturas , temores e ódio.

Elegemos o ódio.
Aplaudimos o ódio.
Machucamos quem nos ama...
Tudo por um prazer pequeno, uma vontade de ter tudo aos nossos pés .

Alimentamos um mundo vazio e doente
dentro de nós
quando aceitamos achar que podemos tudo...

terça-feira, 12 de junho de 2018

eu sou o inverno


Eu sou o inverno
que faz crescer o fogo porque o frio corta a alma
e acende a loucura que o tempo jamais irá explicar.
Eu sou o gelo
que queima e paralisa e tira a dor e tira o medo do inferno
porque o fogo acelera e embrutece
todo esse fogo dentro de mim
que me torna de gelo por fora
de gelo pra fora
me torna inverno, frio e ardente.
Eu tenho um inferno
feito de gelo e fogo e tempos perdidos e daqueles que me cercam e cerceiam,
me deixando sem onde ou quando ou como
me fervendo a alma e congelando os desejos mais profundos.
Eu sou a arte
que supera o inverno e o fogo e encontra o homem
além do tempo e dos tempos dos homens
e do momento de si mesmo.
Eu sou aquele que sabe o que é
porque é o que sabe.
Sou o frio que queima
o fogo que esfria
o tempo que para
a arte que cria e descria o mundo à minha volta.
Eu sou o tempo
que roubei de mim para ferver e congelar e me perder sem caminho.
Eu sou o que sou,
eu sou eu.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

sombras do tempo

As palavras dilaceradas espalhadas como tempo perdido
me falam das mesmas estradas seguidas nas aventuras confusas
de uma mente que mente quando o tempo para
porque só fala a verdade diante do espelho, vendo os olhos do eu.

A força que dói nos caminhos pequenos,
voltados aos lados de uma história retorcida em mundos pequenos
mundos pequenos e homens grandes repletos de ser
repletos de amor e ventura.

Somos parte de um todo confuso e sem tempo,
somos parte de palavras mais belas que nossos sentimentos,
somos parte de partes pequenas de dentro de nós.

Há tudo entre nós,
e o universo se abre quando os olhos se tocam,
quando as mãos se misturam.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Escrever é preciso, respirar talvez
é que preciso do ar para deixar as palavras virem, talvez.
Esperar que a vida se preencha de felicidade é um dom,
ou uma mágoa confusa esquecida em meio aos atributos da vida.

Amar é uma forma de dizer que o tempo não é cruel,
mesmo que as palavras de amor rasguem as palavras escritas
e façam despedaçar as certezas perdidas
na linha do tempo que nos guia ao infinito dentro de nós.

Escrever é preciso, pois é tudo o que tenho de infalível
e de mãos dadas às minhas palavras
rabisco as minhas verdades ao som de um velho teclado de computador.

Escrever é preciso, é um risco que rabisco em meus sonhos,
pois sonhar é um abraço encantado que fazemos com a ilusão
de que a vida pode ser vivida e não escrita. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Eu tenho palavras demais
recebo palavras de menos,
a menos que eu fale,
a menos que sejam minhas.

Possuo seus abraços
mas estou escondido em suas redes sociais,
onde os mitos dominam seus desejos
pelo irreal que não existe,
pelo irreal que nunca será,
por aquela que busca-se
onde não está.
Onde eu não estou.

O amor escondido
as declarações expostas
onde está o real?
Onde está a ficção?
Que vida queremos viver?

Estou fraco
com as palavras cortadas
estou confuso
de alma indisposta
e caminhos perdidos.
Estou um escritor
sem escritos
vestindo a poesia que lhe resta
diante de gigantes perfeitos
e eu escondido
no meu pequeno buraco
sem fotos
sem nomes
sem declarações
só no meu canto,

Possuo apenas palavras
e devem ser poucas
para o mundo ideal.

Vou parar por aqui e não divulgar esse texto,
vou deixar escondido comigo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

liberdade

Se meus pés forem fincados à terra
terei ainda a possibilidade de olhar o céu,
ou de fechar os olhos e enxergar o infinito;
porque terei liberdade e não serei escravo da terra que me aprisiona.
Se minhas mãos forem acorrentadas
e eu não puder mais escrever,
poderei ainda gritar as minhas palavras e
se a voz faltar
as repetir até que eu não as esqueça jamais.
Pois só é livre quem é digno,
quem não se ajoelha diante da morte e sim,
morre diante do inimigo sem desistir.
Liberdade não vem com migalhas,
pois se libertar implica em perder tudo que a prisão dá a você,
até o que é bom.
Libertar-se é estar só
até que a solidão baste
e ninguém mais possa te aprisionar.
Libertar-se é olhar o ódio e o amor à sua volta
e não ver mais ninguém,
apenas o seu caminho,
pois só existe amor de verdade quando estamos livres.
É preciso esquecer tudo
e reinventar tudo,
é preciso deixar tudo e todos
e reescrever o seu nome em outras páginas.
Libertar-se
é erguer as mãos e os olhos ao convite do vento
e perder o medo de voar,
ainda que isto te torne um alvo fácil
que morra breve, mas morra livre.
Viver com as mãos acorrentadas e
pés enterrados
é já estar morto.
Liberdade é quando sua alma não sente mais o peso
das palavras dos que te odeiam
nem das palavras dos que você ama,
é quando você ouve apenas
as palavras que convidam ao vento.

Libertar-se é uma decisão.
Vencer o medo deve ser inevitável.
Mas o medo só vai
quando paramos de receber cada migalha de conforto
que ele nos oferece;
é ter a dignidade de amar a você
antes de se escravizar no falso amor de alguém;
é querer estar livre
mais do que estar acalantado nos braços do cárcere;
pois quem dorme no conforto da escravidão
acorda indigno e acreditando que
seu dono o irá libertar,
se fosse, não o teria escravizado.

Liberte sua alma
vá com o vento
dispa-se e não leve nada
quebre as correntes, com a força que for necessária.
E nesse caminho
a felicidade abrirá os braços para você.

Liberte-se e comece a viver.