Sentimos o tempo passar porque tudo parece sempre caminhar
em uma única direção
e não pode voltar ou se refazer
não somos fisicamente capazes de
estar no momento antes do agora
e por isso seguimos
submetidos ao tempo.
Eu achei que tinha encontrado uma
palavra muda
que não fosse capaz de sair
através da minha voz
dos meus pensamentos ou
das minhas mãos sobre o
teclado...
Algo se apagou
porque tudo caminha da ordem para
a desordem
é como um vidro que se quebra
e nunca mais será o mesmo
mas pode quebrar novamente.
E somos assim,
corpos, mentes e alma (e no meu
caso, palavras)
que caminham da ordem para a
desordem.
Partimos do uno, nos fragmentamos
em uma personalidade,
vivemos e seguimos fragmentando
nossa vida até que ela para...
E algumas vidas quando param
parecem fazer tudo se quebrar continuamente
como se a desordem fosse uma erupção
louca que extingue a nossa alma...
mas é isso,
seguir para a desordem e entender
toda ela,
rumo à compreensão da ordem
inicial onde tudo começa.
Achei que minhas palavras estavam
mudas
quando você voltou para a ordem
e regrediu ao início, onde tudo
sempre começa.
Mas elas não estão mudas
porque você sempre as ouviu.
Eu sigo a entropia da desordem
e contribuo com ela
escrevendo e falando sem parar
até que um dia, sobre um tapete
estendido de palavras,
eu não me satisfaça em voltar
para a origem de tudo,
porque sei que vou querer, boa
amiga entropia,
que o início depois de mim
não seja o início antes da minha
existência...
E até onde o tempo não existe
existirá o antes e o depois das
minhas palavras.
Obrigado por me levar no primeiro
dia na escola
para eu aprender a escrever.
Obrigado pelo meu primeiro livro,
obrigado por me apresentar ao
teatro,
obrigado por me fazer ler em público
com sete anos...
Segue seu caminho Terezinha,
por mais que, talvez, nenhum
caminho exista a partir daí.
Sua onda retorna ao oceano com
mais amor do que quando começou a se mover...
E que o oceano perdoe a minha
ousadia
de roubar-lhe a unidade e
manter-te viva em minhas palavras
que nunca serão apagadas,
mesmo depois que a minha onda quebrar
na praia...
Nada é como já foi...
A menos que um escritor torne
eterno o momento antes do agora
e tudo o que vier depois
eterniza-se com ele
rompendo o tempo em um único
instante...
Isso te faz estar sempre aqui
Terezinha Amaral,
a voz que eu jamais irei
esquecer...

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