sábado, 28 de março de 2015

Não sou só.
Sou só
palavras
e por isto sou maior do que tudo e todos
e não caibo em lugar algum
e sempre preciso sair
até dos corações
não tenho fé
tenho apenas verdade
não tenho medo
apenas sei por onde ir
não temo os meus desejos
sou pleno em lealdade
não tenho orgulho em demasia
tenho coragem
não preciso de guias
sou a fonte do meu conhecimento
sou tudo
em tudo
com tudo
por tudo
e por isto o mundo e os homens do mundo são pequenos
homens de grande fé
e pouco conhecimento
e nenhuma verdade
e não recebo mensagens
sou as palavras
e não abandono
sou todos
o tempo todo
em um tempo que não existe
e por isso me deixam só
porque sou só
o único conhecedor da imortalidade
em um mundo de homens que buscam um amor imortal
desde que não pese para carregar
imortais não sentem peso
amor não pesa
ou melhor,
pesa nos ombros egoístas que acreditam
na existência de um eu individual
e querem estar só consigo,
por medo de transcender à luz
sou só
luz que não ilumina
porque não preciso me mostrar
e falo  única verdade
e se sou o estranho
não é porque sou estranho
é porque todos os outros são cegos
e se amo
você não entenderá
por isso amo só amo e mais nada
e essa é a palavra mais mal entendida dessa gente
que busca no que acreditar
e teme seu corpo
e teme o corpo do outro
e teme o vento
e teme compartilhar
e teme renunciar a si mesmo em favor do outro
não renunciar se sentindo bem
mas apagando os próprios sentimentos e desejos para purificar a alma
se é que terão alma um dia
pobres
pequenos
crédulos
egoístas e mentirosos
que criam o deus
para clamar para si
querem ter a sua vida
como se a vida fosse de alguém
doentes da verdade
cegos de olhos arregalados por pavor
pequenos
menores que as minhas palavras
não sou só
sou tudo
e tudo não serve para os homens comuns
fique só
sem nenhuma palavra depois
e encha o buraco com mentiras
fique só
sem nenhuma verdade
e acredite na voz do além ou do céu ou de qualquer lugar
fique só
seja só
ame só
sem nenhuma palavra depois
queira tempo
peça tempo
e se vá
vá esperar o tempo se escravizar e te responder
porque eu sou o tempo
e o tempo é tudo ao mesmo tempo que não existe
por isso somos eternos
somos só
tudo o que já existiu

sou eu. 

domingo, 22 de março de 2015

O Homem que não Canta

O homem que não canta
tenta inventar músicas para acalentarem seus ouvidos.
tenta aprender a tocar instrumentos musicais
para isso o ajudar a cantar,
mas a voz agarra e tudo fica um horror.
O homem que não canta
gosta música e musicais,
gosta de sons, sabe ouvir bem,
principalmente quando ele canta mal.

O homem que não canta
não tem o direito de amar,
não porque não canta,
não porque seja mal,
na verdade,
ele não sabe o motivo.
Ele até tentou cantar, mas não consegue.

O homem que não canta
fala de amor e sabe que ele liberta as almas do medo,
mesmo que a sua estema presa e amedrontada,
ainda assim ele não se cala,
pois calar não traria a paz, apenas a afastaria,
o homem que não canta não serve para cantar,
e talvez não sirva para muita coisa,
ou para muitas pessoas,
mas serve para seus bichos de pelúcia
que têm mais vida que muita vida à sua volta.

O homem que não canta
não canta e está só.
Pensando tentando não pensar,
não cantando e não mais tentando cantar...
porque ele é o homem que não canta
e se não canta
não canta.

O homem que não canta
não canta
só escreve

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Nunca passei de um filho da solidão que eu prego não existir,
dentro de mim há um peito cravado das palavras que escrevo
me dizendo que o tempo passa despercebido por mim
sem me levar, e também sem me deixar parado.

Conheço a função das lágrimas, conheço a função das mãos,
e apenas desconheço como controlar as mãos que escrevem palavras,
pois desconheço o sabor das lágrimas no rosto,
embalado pelo calor do frio que roça a minha pele quando estou aqui.

Me sobra tempo, me sobram histórias, me sobra poesia
pra dizer que não sei levar tudo onde eu quero que vá,
porque desconheço o caminho e caminho só.

Me abstenho da forma, digito um soneto padrão;
porque assim posso me perder dentro da minha verdade
e ainda dizer, a arte não deve ser alimentada só de solidão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

E se passa

Quando o sol brilhar
contemple a noite que chega com suas vozes intensas,
ria das estrelas e veja os mundos que ainda não conhece;
porque o se passa é o caminho que somos incapazes de conhecer.

Quando a fé tirar os seus companheiros,
até mesmo os mais leais
entenda que eles só queriam ouvir a voz da divina palavra
vinda do que eles não viram e fizeram força para acreditar,
afinal a verdade deve ser una e não pode pertencer ao simples humano em corpo,
deve pertencer àquele que fala com retórica sem chegar a nenhum lugar,
pela boca de ninguém,
porque o tolo que busca a elevação não se torna ninguém.

Quando o medo for o combustível e a incapacidade formar seus seguidores,
siga sozinho porque a escuridão da noite que brilha
ama os solitários e dá a eles o poder da criação.
E suas mãos escrevem
o que as palavras esqueceram em você.

E quando os deuses, os grandes guias
se aproximarem de você,
não duvide, ria da fraqueza de suas almas que se acham escutadoras da palavra do deus
e levam consigo mentes pobres, corpos escondidos e almas doentes,
e que bom que são doentes, porque assim eles têm a quem tentar curar.

E quando o dia chegar,
lembre-se da noite
e saiba que ela não abandona os verdadeiros humanos,
os que sabem que se todos somos um,
não há guias, ou falas transmitidas através da matéria,
ou santos, ou milagres, ou deuses, ou demônios,
ou do que você quiser chamar aquele em quem acredita.
Se somos um eu posso tudo, sem que ninguém me diga.

Mas os doentes não têm coragem de olhar para a verdade
e sim, existe uma verdade,
ela não está diluída, um pedacinho em cada roda religiosa.
Ela existe e rodas ou templos decidem apenas sua pobre forma de não olhar par ela.
Que são muito parecidas, apenas disfarçadas de discursos com cores diferentes.

Então,
é preciso que fiquem doentes para que os seus líderes acalantem os seus corações,
para que os amem e os sigam,
como ovelhas guiadas por um pastor,
um salvador,
sem o qual você, pobre e pequeno ser sem identidade,
estaria perdido nos seus pensamentos e traumas,
sem que eles fossem inconscientemente tratados e isto mudasse você,
sem que perceba;
graças ao divino guru a quem você tem certeza, sempre teve é o que acredita,
estava destinado a encontrar.
Aquele que algo dentro de você faz saber e acreditar que é o seu caminho.
O mesmo algo que faz doente.
É. Seu algo é mesmo confiável. Claro que deve confiar na intuição de alguém
incapaz de cuidar da sua cabeça sozinho,
alguém incapaz de acreditar em si mesmo,
alguém incapaz de tornar verdade a sua força interior,
alguém incapaz de controlar seus pensamentos,
alguém incapaz de saber se é guiado por outro ou não,
alguém incapaz de enfrentar seus fantasmas,
alguém incapaz de desobedecer qualquer ordem,
alguém incapaz de acreditar em si mesmo e em sua grandeza,
alguém incapaz de se olhar e confiar;
mas, quando encontrar seu templo e seu guru, terá uma certeza feroz e os defenderá
mesmo que isto custe a vida de outros.
Porque você é incapaz de tudo,
menos de duvidar do discurso desencaminhado do ser intangível.

Quando a noite chegar.
Eu não serei cego.
Eu não serei o seu guia.
Eu irei.
Porque não sou incapaz,
não tenho líder,
não tenho círculo ou templo,
não aprendi uma forma de não ver da verdade.

E quando você não puder mais me entender,
perderá a minha criação,
que é tangível e esteve o tempo todo depositada sobre suas mãos
para buscar a fé na criação guiada pelo divino fluido ou tão superior que te mantém longe.
Ou mantém como marionete incapaz.

E se passa,
é, o tempo passa
e deixa preso ao tempo quem não quis ver o que ele é,
é tangível,
tem sabor, cor, cheiro, gosto, corpo...
E se passa,
é, a arte passa e acaba quando a tememos.
E tem mesmo que passar
e levar com ela só os capazes,
pois só eles podem entender e transformar a criação.
E criação não é distante de nós,
você mora dentro dela, pisa sobre ela, e se alimenta dela,
e adoece fugindo dela.

E se passo,
sim, eu passo
porque vou,
criar é ir, conhecer caminhos,
com medo ou coragem, mas sempre ir
como o tempo, que de tanto ir,
tornou-se tudo.


domingo, 21 de outubro de 2012

mala vazia

Não tenho cidade
não tenho memórias
não tenho rastros deixados
não tenho história construída;
apenas histórias contadas e
palavras que são levadas pra longe
dentro do esquecimento de cada um.

Não há um caminho a ser seguido,
uma memória a ser guardada,
tudo o que sempre me restou
posso carregar numa bolsa
e o destino
é tão ingênuo
que pensa poder me guiar.
Não sou guiado por nada
pois de nada
se constrói meu mundo.

Me resta apenas ir.
Ir e não deixar que as palavras fiquem
em um mundo que nunca se atreveu
a olhar para elas
nem mesmo para maltratar.
É hora de ir para o infinito,
porque o tempo perdido
em meio aos ninguém
é perdido da eternidade.

Com a mala pequena,
vazia de memórias e  pessoas
poderei livremente
caminhar sobre as palavras...

domingo, 22 de julho de 2012


A verdade é que não da pra ser forte diante do espelho de mágoas
escurecido pelo metal frio que compõe as nossas almas.
A verdade é que preferimos cerrar nossas bocas e não sentir
o cheiro das imagens perdidas diante de nossos olhos
embaçados por tantos gritos sem qualquer sentido ou destino.

A verdade é endurecedora de palavras e reconta sentidos
porque os sentidos sempre foram perdidos
na busca por ilusórias menções de quem somos.
Somos parte de uma verdade mais lenta
que corre pelos cantos escuros buscando uma saída
de dentro do medo e do silêncio mortal de nossas
atitudes sem perspectiva de paz.

De verdade somos feitos para buscar um caminho
rumo à eternidade
e com isto entender o tempo que passa discreto
como o ar que se recolhe em nossos pulmões a cada segundo.
Mas na verdade,
não sabemos nada a respeito de quem somos,
do que fomos e para onde iremos.
E caminhamos cegos em meio a tantos espelhos
que exibem nossos rostos e então
manchamos nossos olhos e nossas verdades
para turvar nossos olhares e compramos
apenas o desejo inútil de seguir o fluxo
de um sistema falido.

E a verdade,
fica escondida nas sombras aguardando um olhar de luz.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Sonho


Um dia um menino sonhou que seria
por algum motivo desconhecido ou nunca revelado,
aquele de que todos já haviam falado
o mais feliz do mundo.

Por um tempo o menino desacreditou das lendas contadas
e esperou que a tormenta chegasse
para enfrentar as batalhas terríveis;
ele sabia que as enfrentaria sozinho e começou
a buscar os desafios e jamais parou,
porque seu destino brilhava em seus desejos.

O menino precisava aprender,
sonhar não bastava. Era preciso mais, era preciso sabedoria.
Ele então sonhou e construiu seu caminho
em meio a seres venenosos que tentavam inanimar suas verdades;
verdades que se construíram palavra a palavra.

E o menino não era mais um menino, era um homem.

E o homem passou a sonhar que seria
o mais inteligente de todos,
sem dúvidas, sem mentiras, sem medos ou assombrações.
Caminhou por caminhos difíceis,
enfrentou inimigos desonrados,
consertou as dores dos que estavam perdidos.
Fez crescer sua alma e toda sua verdade construída.
Era um artista,
artista da palavra,
da dramaturgia...

o sonho de menino nunca se foi.
E então um dia ele viu um sorriso
se aproximou do sorriso
o sorriso telefonou
ele conversou com o sorriso
o sorriso se aproximou
sorriu ainda mais
sorriu de novo
e o menino se encontrou apaixonado
então o sorriso deu as mãos ao menino
que neste dia sabia
que a felicidade existia
e começou a escrever a história mais linda de todas
a história de amor que não tinha mentiras
um sonho que se materializava em
palavras
sorrisos
e eternidade.
Um sonho chamado...

Feliz aniversário meu amor...
A festa já começou.