quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Linda

Linda,
se eu pudesse eu roubaria um pedaço da lua
que está tão perto de mim
pra poder te dar...
mas minhas mãos não alcançam a lua,
espero então que minhas palavras alcancem o seu coração,
que meus beijos alcancem seus lábios,
e que nossos sorrisos se encontrem à luz da lua
imóveis e eternizados em nossos olhares.

Linda,
se eu conhecesse os seus sonhos
eu os realizaria, um a um,
só pra ver sua alegria a cada vez que os entregasse a você.
Não conheço os seus sonhos,
não desvendo os seus segredos,
não invado o seu mundo,
mas me permito invadir sua poesia
e deixar que a minha seja invadida por você;
e assim,
dedico a você meus sonhos,
meus segredos e meu mundo...

Linda,
se o amanhã for tudo o que construímos
já não preciso mais de um amanhã,
me basta apenas o hoje
por saber que em breve estarei ao seu lado de novo,
que seja por poucos minutos,
num ponto de ônibus,
num bairro distante...
me basta saber que você está em algum lugar...

Linda, minha linda (se é que posso chamá-la assim)
estou ao lado de uma janela
e em algum lugar está você,
e em algum dia estaremos nós dois...
sei que o amor não é uma palavra pra ser usada corriqueiramente,
mas quem disse que os poetas respeitam as regras?
Palavras são palavras,
o significado está no cheiro que elas têm,
e quando escrevo a você
todas as palavras cheiram a amor...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Festa de Aniversário

O cheiro do doce foi profundo e deixou Pedro com água na boca. Mas estava cedo e ele não podia começar a comer antes de todos os convidados chegarem. Foi à janela para ver as crianças que chegavam. Logo foi possível escutar o barulho das que cruzavam a sala atrás dele, correndo, gritando e sorrindo. Pedro então foi para a outra janela, ainda maior e ainda mais bela. Havia muito cheiro de guloseimas, mas ele conseguiu sentir apenas o cheiro da luz que já despontava imponente e solitária mesmo antes do sol se pôr por completo.

Festas de criança são mesmo meio chatas, mas em família tudo tem o seu valor. A luz incomodava os olhos e os ouvidos de Pedro que escutava o seu canto silencioso. Estava confuso. Estava certo de tudo. Este era Pedro, desencaminhado, quieto, silencioso. E a festa começa. Ele conhece os convidados, os trata com simpatia admirável; sorri. Serve. Come. Mas Pedro ouve sempre o canto silencioso da lua, que não cessa. Falta alguma coisa, e ele sabe disso. Talvez falte alguém e por isto Pedro se sinta tão sozinho, por isto talvez ele se sinta tão atraído pela lua.

Crianças correm, caem, se molham de refrigerante. Pessoas conversam, riem. Pedro também ri quando vê alguém se sentar num prato de salgadinhos. Uma estranha agora, já há estranhos na festa. Todos se tornam estranhos, se tornam vultos, se tornam vozes. Mas Pedro enxerga um rosto, um único cheiro, um único sorriso e um único toque nas mãos.

Sozinho, Pedro tenta sentir o cheiro de bolo, canta parabéns, chama de puxa saco pelo primeiro pedaço, come, passa cobertura de bolo em alguém, mas a brincadeira não se estende. Pedro não queria estar só, mas não teve escolha, não soube convidar. Pedro respira. Pedro sorri. Pedro descansa um pouco em seu quarto.

O silêncio lentamente se aproxima. A festa termina. Pedro come salgadinho frio e bolo amassado guardado num pote de plástico. Todos dormem. E Pedro vai outra vez à janela. Ele e a lua se olham. Ela canta para ele e ele escreve nela.
"Não é que eu não saiba exatamente o que eu sinto,
é que os verdadeiros sentimentos não precisam
ser compreendidos" - Pedro

A janela se fecha. Ele desce com um pote de salgadinhos frios e vai para o quarto dormir...

noite...

É, a noite tá linda... meu céu tem muitas estrelas
bem próximas de mim...
ela me pediu poesia,
dispenso a noite, dispenso as estrelas,
preciso apenas de sua voz em meus ouvidos
de sentir sua respiração contra o meu corpo,
seu cheiro...

Sei que são vãs as poucas palavras,
histórias rodeadas de histórias, de percepções...
a noite sempre surge bela e aguarda poesia
e a poesia se desponta em meio às estrelas
e aos seus sorrisos,
pois como diria o colega,
“o que pode uma criatura, senão entre criaturas amar”

Os poetas sempre se perdem em meio às palavras
e estar perdido não traz pressa,
traz intensidade...
as palavras se delineiam em gestos, toques e abraços,
de tudo que um dia não se sabe quando vai acabar,
ou quando vai começar;;;
sinceras palavras, antecipadas palavras...
escritores se antecipam ao tempo e à verdade...

Gosto de escrever nas estrelas, escrever na lua,
poemas que escreveria em sua pele,
e que não precisam ser escritos em mim...
gosto de jogar a vida prá cima e deixar que ela despenque
da forma que for,
que caia e se levante diante de meus olhos abertos ou fechados.

A noite é sempre linda
e espero que as estrelas que me vêem
estejam vendo você,
sorrindo prá você e trazendo seu sorriso prá mim....
se você me pede poesia,
que se faça a poesia,,,

Escrevemos ao mesmo tempo, um lendo o outro,
em nossos blogs,
o que vem de algum lugar, que talvez saibamos de onde,
ou talvez jamais venhamos a saber.
E jogar-me no desconhecido, é algo admirável...

Aguardo seu poema assim como aguardo minhas últimas palavras,
são palavras que me encantam
vindas de um coração ainda desconhecido, inibido...
aguardo a resposta das estrelas
as palavras que trazem prá que eu finalize o poema,
mas as estrelas não falam, e não vou plagiar suas palavras,
me inspiro, me refiro a você de forma direta e nem um pouco sutil...
me escrevo e reescrevo em inúteis versos,
me encontro e desencontro em meus desejos,
me recomeço, me aventuro, me despeço de prisões e de perdas.
Alço vôo, mesmo não sabendo como pousar...
porque corro o risco de ter que voar para sempre...

E me despeço em palavras,
terminado o poema...
e deixo um beijo encantado,
da cor das estrelas e com o cheiro da lua,
que toca seus lábios
e se desmancha em luz...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pra que ter pressa
se o tempo pra mim passa tão rápido
que não consigo pensar em respirar
sem me lembrar de você.

Pra que ter histórias pra contar
se vivo, de forma torta
a minha história predileta.

Não consigo me esquecer dos minutos que ficam gravados,
e são repetidos... repetidos... repetidos... repetidos...
e de quantos minutos faltam pra te ver novamente.

Mais um soneto que achei que os tinha esquecido como fazer.
Pequeno poema pra um sentimento de proporções desconhecidas...
algo que já temo que seja amor
e coube em pequenos catorze versos.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Essa musica sempre está aqui nas horas certas

12.wma

Minhas Palavras

Minha cabeça está afetada por palavras estranhas,
desconexas.
Extremamente afetada, extremamente confusa.
Extremamente palavras.

Após anos de escrita madura, calma, ponderada,
lenta e delicadamente pensada,
meu escritor insano foi acordado,
subitamente,
indefinidamente...
as palavras voam à minha volta,
meus personagens estão por todo lado,
como fantasmas, como realidades...

Balanço a cabeça, perco a direção,
escrevo no blog e dispenso a caneta,
pra não dizer mais uma vez que sangro nanquim...
mesmo porque minha caneta tinteiro quebrou...
ouço música alta, penso em palavras
e somente em palavras...
e são tantas que interminavelmente não consigo sair do meio delas.

Deixei me acordar este elo perdido,
talvez não pelo perdido,
mas por quem viesse acordar.
Veio.
Acordou.
E minha muralha de palavras se desmoronou
deixando-me vulnerável.
Intermináveis palavras, eternas e imortais.
Palavras sem fim contando histórias que não existem.
Infinitas palavras;
tudo o que tenho;
minhas palavras...
que parecem me mergulhar num poema sem fim
e não me deixam fazer mais nada...
minha poesia, fiel e leal...

Eu gostaria de ter quatro mãos para escrever um poema,
uma história,
ou uma coisa qualquer,
mas sempre encontro apenas duas,
as minhas,
recheadas às vezes de tempo,
de silêncio
e de mim mesmo.

Tudo despejado ao mesmo tempo, e muito rápido em minha cabeça
funde a minhas funções neurais,
mas enfim,
vou sobreviver?
Não. O que é eterno não precisa sobreviver a nada.

Quem não me conhece pensa que estou cheirado,
bem, talvez esteja.
Cheirando palavras, o único cheiro que nunca se vai.

De muralha desfeita e alma exposta
aguardo o momento em que tudo se reerguerá
lenta e silenciosamente,
como eu.
Mas desta vez não deixarei que adormeça
a loucura de minhas palavras.
Nasci escritor compulsivo,
fui criado a pedaços de revistas em quadrinhos
com histórias faltando pedaços...
Fui criado olhando apenas para mim
e descobrindo o meu infinito e indomável universo.
E como diria Drummond,
"Tenho apenas duas mãos e todo sentimento do mundo"
Já tenho as mãos meu colega...

Aos bons, que seja data a pureza;
aos loucos, a liberdade;
aos cruéis, a sabedoria;
aos covardes, a sorte;
aos heróis, o amor.
Aos poetas, já foram dadas as palavras,
e se não bastar,
que inventem mais.

As páginas rasgadas das revistas
alimentavam a minha mente,
os espaços vazios em meu coração
alimentam as minhas histórias...

E assim adormece o poeta,
revestido em um lençol de silêncios.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

...

Que tu possas me abraçar com a mesma força que te vejo,
que eu possa encontrar as palavras
da mesma forma que encontro os sorrisos seus.
E assim então disperso em mais nada
nada mais que esse momento,
que a lembrança do cheiro dos seus cabelos;
a lembrança do cheiro das palavras que eu não te disse.

Que possas entender os meus rabiscos,
entender os meus motivos
entender minhas palavras.

É uma pena que eu não perca o controle.
É uma pena que eu não pegue nada sem pedir.
É uma pena que eu não encontre caminhos de dizer as palavras certas.

Que tu possas sonhar
enquanto eu escrevo,
que tu possas amar...
e a cada dia
sentirei a luz dos seus sorrisos,
infinita e adormecida...