sábado, 11 de maio de 2019

Alimentamos as flores do ódio com as gotas do nosso egoísmo,
quando pensamos que é só nosso o direito
e que temos todo o direito sobre tudo.

Somos fadados a destruir vidas e sentimentos e histórias
porque queremos ter tudo para nós...
E sós,  caminhamos nossa estrada egoísta
cheia de torturas , temores e ódio.

Elegemos o ódio.
Aplaudimos o ódio.
Machucamos quem nos ama...
Tudo por um prazer pequeno, uma vontade de ter tudo aos nossos pés .

Alimentamos um mundo vazio e doente
dentro de nós
quando aceitamos achar que podemos tudo...

terça-feira, 12 de junho de 2018

eu sou o inverno


Eu sou o inverno
que faz crescer o fogo porque o frio corta a alma
e acende a loucura que o tempo jamais irá explicar.
Eu sou o gelo
que queima e paralisa e tira a dor e tira o medo do inferno
porque o fogo acelera e embrutece
todo esse fogo dentro de mim
que me torna de gelo por fora
de gelo pra fora
me torna inverno, frio e ardente.
Eu tenho um inferno
feito de gelo e fogo e tempos perdidos e daqueles que me cercam e cerceiam,
me deixando sem onde ou quando ou como
me fervendo a alma e congelando os desejos mais profundos.
Eu sou a arte
que supera o inverno e o fogo e encontra o homem
além do tempo e dos tempos dos homens
e do momento de si mesmo.
Eu sou aquele que sabe o que é
porque é o que sabe.
Sou o frio que queima
o fogo que esfria
o tempo que para
a arte que cria e descria o mundo à minha volta.
Eu sou o tempo
que roubei de mim para ferver e congelar e me perder sem caminho.
Eu sou o que sou,
eu sou eu.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

sombras do tempo

As palavras dilaceradas espalhadas como tempo perdido
me falam das mesmas estradas seguidas nas aventuras confusas
de uma mente que mente quando o tempo para
porque só fala a verdade diante do espelho, vendo os olhos do eu.

A força que dói nos caminhos pequenos,
voltados aos lados de uma história retorcida em mundos pequenos
mundos pequenos e homens grandes repletos de ser
repletos de amor e ventura.

Somos parte de um todo confuso e sem tempo,
somos parte de palavras mais belas que nossos sentimentos,
somos parte de partes pequenas de dentro de nós.

Há tudo entre nós,
e o universo se abre quando os olhos se tocam,
quando as mãos se misturam.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Escrever é preciso, respirar talvez
é que preciso do ar para deixar as palavras virem, talvez.
Esperar que a vida se preencha de felicidade é um dom,
ou uma mágoa confusa esquecida em meio aos atributos da vida.

Amar é uma forma de dizer que o tempo não é cruel,
mesmo que as palavras de amor rasguem as palavras escritas
e façam despedaçar as certezas perdidas
na linha do tempo que nos guia ao infinito dentro de nós.

Escrever é preciso, pois é tudo o que tenho de infalível
e de mãos dadas às minhas palavras
rabisco as minhas verdades ao som de um velho teclado de computador.

Escrever é preciso, é um risco que rabisco em meus sonhos,
pois sonhar é um abraço encantado que fazemos com a ilusão
de que a vida pode ser vivida e não escrita. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Eu tenho palavras demais
recebo palavras de menos,
a menos que eu fale,
a menos que sejam minhas.

Possuo seus abraços
mas estou escondido em suas redes sociais,
onde os mitos dominam seus desejos
pelo irreal que não existe,
pelo irreal que nunca será,
por aquela que busca-se
onde não está.
Onde eu não estou.

O amor escondido
as declarações expostas
onde está o real?
Onde está a ficção?
Que vida queremos viver?

Estou fraco
com as palavras cortadas
estou confuso
de alma indisposta
e caminhos perdidos.
Estou um escritor
sem escritos
vestindo a poesia que lhe resta
diante de gigantes perfeitos
e eu escondido
no meu pequeno buraco
sem fotos
sem nomes
sem declarações
só no meu canto,

Possuo apenas palavras
e devem ser poucas
para o mundo ideal.

Vou parar por aqui e não divulgar esse texto,
vou deixar escondido comigo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

liberdade

Se meus pés forem fincados à terra
terei ainda a possibilidade de olhar o céu,
ou de fechar os olhos e enxergar o infinito;
porque terei liberdade e não serei escravo da terra que me aprisiona.
Se minhas mãos forem acorrentadas
e eu não puder mais escrever,
poderei ainda gritar as minhas palavras e
se a voz faltar
as repetir até que eu não as esqueça jamais.
Pois só é livre quem é digno,
quem não se ajoelha diante da morte e sim,
morre diante do inimigo sem desistir.
Liberdade não vem com migalhas,
pois se libertar implica em perder tudo que a prisão dá a você,
até o que é bom.
Libertar-se é estar só
até que a solidão baste
e ninguém mais possa te aprisionar.
Libertar-se é olhar o ódio e o amor à sua volta
e não ver mais ninguém,
apenas o seu caminho,
pois só existe amor de verdade quando estamos livres.
É preciso esquecer tudo
e reinventar tudo,
é preciso deixar tudo e todos
e reescrever o seu nome em outras páginas.
Libertar-se
é erguer as mãos e os olhos ao convite do vento
e perder o medo de voar,
ainda que isto te torne um alvo fácil
que morra breve, mas morra livre.
Viver com as mãos acorrentadas e
pés enterrados
é já estar morto.
Liberdade é quando sua alma não sente mais o peso
das palavras dos que te odeiam
nem das palavras dos que você ama,
é quando você ouve apenas
as palavras que convidam ao vento.

Libertar-se é uma decisão.
Vencer o medo deve ser inevitável.
Mas o medo só vai
quando paramos de receber cada migalha de conforto
que ele nos oferece;
é ter a dignidade de amar a você
antes de se escravizar no falso amor de alguém;
é querer estar livre
mais do que estar acalantado nos braços do cárcere;
pois quem dorme no conforto da escravidão
acorda indigno e acreditando que
seu dono o irá libertar,
se fosse, não o teria escravizado.

Liberte sua alma
vá com o vento
dispa-se e não leve nada
quebre as correntes, com a força que for necessária.
E nesse caminho
a felicidade abrirá os braços para você.

Liberte-se e comece a viver.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

somente uma palavra

Existem dias em que possuo apenas uma palavra pra dizer a você,

ame

seja quem for, onde for e como for.

Ame.

É tudo o que temos quando o amor não é ouvido.

Eu sei que eu choro as suas lágrimas e você chora as minhas
quando elas nos abatem.

Por isso há coisas que se ligam de forma inexplicável.

Mas sei também que muitas vezes seremos rasgados, maltratados, humilhados, perseguidos, desacreditados, agredidos, arrancados de nossa paz pelo egoísmo vil de algumas pessoas. O mundo é assim. As pessoas querem ser assim e se tornam a flor do desentendimento, a flor arrancada por mãos egoístas que irá secar em algum canto.

Ame.

Sim, ame aquele que te ama.

Ame aquele que te odeia, sem dar a ele o direito de matar você.

Mas peça que fique bem,

peça a quem quiser, menos a eles, porque não irão fazer isto consigo mesmos, e pessoas que sequer conseguem se fazer bem merecem que as amemos, é tudo que talvez tenham um dia. Mas amor não quer dizer vínculo e dependência, e nem precisa que estejamos perto.

Se tem uma face para oferecer, ofereça.

Porque sua face um dia irá embora e talvez tudo do que se lembrem é da face oferecida.

Ame, mesmo que pareça absurdo amar,

pois é quando o amor é mais necessário.

Continuarei chorando as suas lágrimas porque sei que jamais irei pedir que me ame, seria um pedido desperdiçado, então ame e me ensine a amar o resto do mundo, sem esquecer ninguém, até mesmo aqueles que deixarmos para trás, porque muitas vezes precisaremos deixá-los onde querem ficar.

Ame.

Pois o amor é a sua face mais forte.

É a única palavra que existe diante da intolerância e do ódio.

Amemos o intolerante e aquele que odeia porque temos um ao outro e nos protegeremos sempre que for preciso, e sempre que não for.

Ame.

Porque o amor te dará o universo inteiro.

Peça por todos. Compadeça-se por todos. Torne-se livre e se ame. Todos merecem compaixão. Até mesmo eu e você.

Amemos.

Porque o amor é tudo o que temos.

E mesmo que ninguém nos ame.

Amemos assim mesmo porque talvez nenhum outro amor chegue até eles, por isso eles jamais terão amor para dar a alguém. Seja quem for.

Ame.

Porque você é toda amor.


E quando entender isso, o mundo se tornará um mundo melhor. 



A Samara Elisa

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A frase mais linda do mundo
na voz mais linda do mundo
tocou meus ouvidos delicadamente
e me fez sentir o que é felicidade,
mais uma vez,
mais uma felicidade,
mais um sorriso que será eterno.
A frase mais linda do mundo
só combina com a voz mais linda do mundo,
que pertence à pessoa mais linda do mundo
e me fez a pessoa mais feliz do mundo...
e que essa voz nunca se cale
e que essa frase nunca se apague
e que se repita quantas vezes puder,
e que o tempo seja ligeiro
e nos dê o presente que queremos o mais rápido possível.
Até lá,
a frase mais linda do mundo
dita pela voz mais linda do mundo

me manterá vivo e feliz. 

sábado, 5 de setembro de 2015

aquele dia

Aquele dia
pode ter parecido um dia simples,
em que alguém apenas chegou e disse oi,
e mais nada.
Mas não foi apenas um dia,
é como se nada mais pudesse voltar a ficar como era antes,
é como se o mundo mudasse de cor,
e mudou;
os olhos é que demoraram a perceber
porque só olhavam o belo e tímido sorriso.
Aquele dia foi o dia em que aprenderíamos o poder da ausência e da distância
quando os abraços fossem tirados de nós
e precisássemos sentir a falta todos os outros dias;
e a falta nos corta com força,
mas o mundo ainda tem outra cor
e a cor antiga jamais irá voltar.
Aquele dia foi o primeiro dia da minha vida
porque todos os anteriores não significam mais nada
depois do que aprendi a sentir.
Porque sinto até hoje todos os dias.
Porque sentirei por todos os outros dias que vierem.
Aquele dia, foi o único dia.
E o seu sorriso mudou a minha vida
e o seu sorriso construiu a minha vida.
E se vivo, é porque vivi aquele dia.

É porque amo. E amar é tudo o que preciso. 

domingo, 23 de agosto de 2015

se o silêncio falasse

Se o silêncio contasse o quanto fui dilacerado
por não terem forças as minhas palavras
ele saberia o quanto não importa
que tudo acabe,
porque tudo foi tirado
e fico dilacerado em pedaços imóveis,
não mortos,
não ainda,
mas imóveis e completamente sem vida;
e estarem mortos,
seria apenas a saída mais bela e romântica,
por isso os pedaços não morrem,
eles agonizam em eternidade
nas mãos que cortam os desejos de forma sombria,
cheias de razão e destinos traçados a todos.
Se o silêncio falasse
eu apenas ouviria
porque tive minha boca calada pela aspereza
das mãos rudes e letais
que me tocam todos os dias.
Se o silêncio falasse
eu seria apenas dor;
e por isso o silêncio me fala todos os dias,
a todo instante,
porque não resta nada,
apenas o fim que ainda não veio,
apenas a decomposição de toda minha alma,
de toda a minha poesia.

E você poderá passar sobre mim,
como se eu não fosse nada,
como se eu nunca tivesse existido.
E serei seu.
E terei obedecido aos caminhos do mundo.
Porque não sou nada.
Por isso desisto
e deixo que minha alma morra perdida nos cantos,
por isso fico aqui,
permitindo que me rasgue,
esperando que a dor vá embora junto com a vida,
porque o silêncio não fala,

ele me deixa só ao lado de quem me mata todos os dias.  

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

o buraco

Jogaram uma garota no buraco.
Corri pra ver e fiquei olhando para ela lá embaixo,
parecia pequena, frágil e assustada,
como uma criança boba e inofensiva.
Então comecei a conversar para acalmar o seu coração,
e suas palavras eram geniais,
a menina via muito mais longe do que as paredes do buraco.
E ela começou a olhar pra cima pra falar comigo.

Os que a jogaram no buraco não gostaram
dela ficar olhando pra cima,
porque isso é errado,
ela devia entender o buraco ao qual pertencia;
mas ela não gostava do buraco.
E me tiraram de perto.
E a menina continuou a olhar para cima,
‘nada muda’ – disse ela.

Bombardearam o buraco
com toda força e raiva que tinham
para que ela abaixasse a cabeça.
Eram bombas covardes e raivosas.
Ela sentiu a dor.
Então pensei,
ela vai se entregar.

Ouvi os barulhos e as palavras da menina,
ela ainda estava de cabeça erguida,
agora mais erguida que antes,
e ela tentava subir as paredes do buraco,
ainda que escorregasse,
começava de novo.
Seus valores mudaram.
Seus medos estão sumindo.
Sua força e sua dignidade aumentam a cada tentativa de subida.
E ela irá sair de lá,
sim irá, pois sua alma já não pertence ao buraco
ou a quem a jogou lá.

Me afastaram e por isto ela sairá do buraco,
como tenho orgulho de sua força e determinação,
como admiro cada vez que ela finca as mãos
nas paredes do buraco para tentar sair,
não se importando se irá cair,
mas sempre seguindo de cabeça erguida.
Como admiro a menina que escala o buraco rumo à liberdade.
Como eu respeito a sua força.
Como eu respeito o seu caráter.
Como eu respeito a sua coragem.

Aqui fora o mundo é mais lindo menina,

e ele já pertence a você.  

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

o cocheiro manco

Voltei à idade média para cuidar de cavalos
nos fundos de uma taberna.
Não sei cuidar de cavalos,
feri minha perna no caminho de volta,
não ando mais direito.
Fiquei manco.
Virei um cocheiro.

O cocheiro manco recolhe estrume todos os dias
enquanto outros homens tomam uísque,
e guardam apenas as menores moedas para presentear o cocheiro
que é o único que lhes preserva
os recursos para seguirem seus caminhos de volta ao lar.

O cocheiro manco não come bem,
pois não consegue comer o feno dos cavalos
e então bebe apenas a sua água,
ao lado deles,
que nunca falam nada e nunca lhe reservam uma moeda.

O cocheiro manco conta toda noite as estrelas,
não por admirar sua beleza,
mas porque dorme todos os dias no cocho,
sujo e com cheiro ruim,
esperando chover para ter como se lavar.

Mas por que ele se tornou um cocheiro?
E por que no mundo medieval?

Me tornei um cocheiro porque os cavalos não falam
e não se importam com as roupas que uso.
Me tornei um cocheiro porque a taberna é barulhenta
e mesmo entre os bêbados
ainda haveria o preconceito por quem eu sou,
mas entre os cavalos não há.
Vim para a idade média
porque nunca vi tanto medo e intolerância
como na era livre em que vivia,
onde as diferenças só eram aceitas
em grupos massacrados com bandeiras;
uma era livre dentro da qual a igualdade jamais existiria.
Uma era em que o ódio dominava as relações
e os corações,
a era mais escura que conheci,
então vim dormir, manco, ao lado do estrume do cavalo,
onde eu não queria ter nada,
e então nada me seria tirado.

O cocheiro manco nunca adormecia,
as estrelas é que se apagavam na imensidão escura do tempo
e tudo o que ele pensava
desaparecia em pensamento algum,
e o cocheiro manco sabia que estava vivo,
porque todos os outros depois dele
sempre estiveram mortos
e por isso só aprenderam a matar tudo o que fosse bom.

E ele não precisava de casa.
E ele não precisava de dinheiro.
E ele não precisava de mais nada além do que tinha de graça,
a chuva e a luz das estrelas.

O coração do cocheiro manco
nunca esteve vazio,
o mundo é que não tinha nada para colocar lá,
então,
ele resolveu ir até as estrelas
e usou os seus sentimentos de escada,
e todos pisaram neles,
menos o cocheiro,
que manco, não conseguia subir as escadas.
E tudo se foi
até as estrelas se apagaram
e esta noite.
Completamente só no mundo que não existe mais,
o cocheiro manco dormiu
e nunca mais acordou para ver as estrelas

se apagarem.  

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Fizeram uma ameaça a uma pessoa,
machucar,
maltratar,
impedir,
causar dor...
Mas o que leva alguém a ameaçar outro alguém?
Não é amor, não é cuidado,
é a falta de alguma coisa em um buraco que se torna imenso
e jamais será preenchido
enquanto não houver espaço para o que é diferente.

Fizeram uma ameaça a uma pessoa,
porque me consideram o problema e o homem ruim,
e ameaçaram machucar a pessoa,
para que o homem ruim a defenda.
Os que amam ameaçam e os que causam mal defendem.
Como assim? Não entendo essa lógica.

Fizeram uma ameaça a uma pessoa.
Não gosto de ameaças.
Gosto de abraços e cooperação e carinho e respeito e amor.
Ameaçar é um ato de covardia,
cujo único objetivo é aniquilar alguma coisa,
um sentimento, um desejo, uma liberdade,
pelo bem comum do medo.
Ameaças não são atitudes de seres humanos.
Seres humanos não machucam seres humanos.

Fizeram uma ameaça a uma pessoa,
porque não podem ou não querem fazê-la feliz,
sem amor e liberdade não há felicidade,
há apenas o vazio
que faz com que os ameaçadores precisem de guerra e dor para se alimentar,
alimentar a sua solidão
alimentar seu ego
e definir o mundo com regras baixas e fúteis.

Fizeram uma ameaça a uma pessoa.
Eu nunca ameaço.
Eu amo.
Fizeram uma ameaça
e que a solidão abrace os seus dias,
enquanto nós abraçamos pessoas,
fizeram uma ameaça
eu fiz um poema.


sábado, 8 de agosto de 2015

O tempo conta histórias que às vezes enganam os olhos.
O tempo sabe ser cruel
e as histórias sabem turvar os olhos dos desatentos.
E podemos nos perder do lado errado da linha.

Sonetos não são um sentimento de verdade.
Sonetos são só sonetos.
E como é difícil explicar a mundo onde
não há verdade e onde não há ficção.

As palavras escorrem,
cada um as vê como sabe ver.
E as palavras se perdem.

As histórias se misturam aos nossos desejos
e nos confundem
e às vezes nos tornamos incapazes de ver a realidade.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

enterrador

Raramente as palavras são leves e sabem voar,
por isso ficam enterradas para serem descobertas pelo futuro.
Não posso curar os medos que não são meus,
só tenho convites, não tenho receitas.
Os beijos escondidos aquecem o coração,
mas as paredes em volta esfriam a alma
e minha alma é quente,
minhas mãos são quentes.

Raramente as verdades são leves e chegam devagar,
por isso ficam enterradas tão fundo
que talvez nem o futuro as encontre.
Sou um enterrador de verdades e palavras
porque não sei de leveza aparente
só sei de leveza de alma
só sei de desejos imortais.

Raramente os homens bons são mesmo respeitados
por isso ficam distantes e sós,
apedrejados por decisões mundanas e menores que suas almas.
E seu coração corre solto o risco de se ferir,
mas corre livre,
ainda que morto e enterrado ao lado de suas palavras.

O que preciso é apenas tocar minha poesia
pois a poesia me conta todo o resto,
inclusive o amor que sinto,
tão grande e infinito quanto sinto.
O que preciso é apenas de uma mão presa à minha
e que não haja mais nada que as possa soltar,
e que mãos juntas
se juntem às palavras de verdade,
e saibam ir
sem parar para ouvir
a terra que cobre os nossos desejos e nos condena à solidão.
Preciso do tempo que é meu,
e por isso escrevo poesia,
pois mesmo enterrado ao lado de minhas palavras,

preciso estar vivo depois do poema. 

sábado, 4 de julho de 2015

volátil

Sou volátil como as palavras
que sequer conseguem ter significado único.
As ruas trocam de cor quando eu troco de sentimento,
mas preciso mais do que trocas,
preciso de uma paleta nova de cores.
O mundo está tão vazio,
as pessoas são tão diferentes de mim,
que as minhas palavras nem sabem onde
ou como devem chegar;
e se vão, mutáveis, translúcidas,
carregadas pelo vento,
mesmo quando o vento não sopra.

Tenho um vinho aberto à minha esquerda,
sem companhia para tomar.
É um vinho muito bom.
Me perco nos meus sentimentos que
não pareço ter a idade que tenho,
mas é tão bom me perder,
isso me dá sentimentos incomparáveis.
Sei que para uns pareço firme como rocha,
e para outros, fluido como a água que corre sem caminho,
ou para alguns, indiferente como uma montanha de gelo;
mas no fundo,
sou apenas perene como as palavras,
que por passarem tão rápido,
sabem se gravar na eternidade.

Aprendi a não ter medo,
aprendi a ter apenas sonhos e esperança,
e tudo se dissolve em palavras,
e as palavras se dissolvem em mim,
e me dissolvo em momentos,
e a vida escorre
como se eu estivesse vivo e morto, o tempo todo, ao mesmo tempo.
Sou tão volátil quanto as palavras,
e por isso passo rápido,
mas com uma intensidade inesquecível.
O mundo anda estranho demais.
Prefiro vê-lo das cores que pinto,
assim é mais bonito,

mesmo que eu veja só. 

domingo, 28 de junho de 2015

sentidos

Toques
cheiros
abraços
fugas
filosofia
literatura
confusões
música
e minhas palavras que,
apesar de me encontrarem,
ainda se sentem perdidas.
E o meu olfato,
e o meu tato,
e todos os meus sentidos,
misturados ao desconhecido intenso de mim,
abalados ao desejo que contorna minha alma,
que redesenha minha poesia
e que consome o meu medo,
me dando alegria,
mesmo na solidão.
E a poesia, intensa, forte, plena,
mais necessária que o ar,
e a poesia,
que não me basta,
que é menor que os beijos que não são recebidos.
Descontrole, sentimentos,
e tudo mais que eu puder perceber,
sem sequer saber de onde veio e para onde vai.
Não sei de mais nada,
tenho apenas os meus sentidos ofuscados
e inertes aos meus desejos,
tenho apenas os cheiros que sinto
e nunca foram para mim,
tenho apenas os desejos que perco,
por que são apenas meus;
e meus sentidos se confundem
dentro de minhas palavras
que desafiam a razão
que manda eu me calar.
Posso perder

mas não sei como me calar. 

domingo, 14 de junho de 2015

Elegia aos muros

Vai lá.
‘Vamos’ seria um convite. Não gosto de ir sozinho.
Mas é preciso entender que as histórias vão ser separadas
pelos que guiam os pensamentos e acreditam ver onde nunca olharam.

O abraço que não vem quando o dono está olhando
faz muita falta,
mas não viria. Nem tudo pode vir.

E jamais quero compreender porque as pessoas só fazem erguer muros,
muros para se fecharem ou para afastar os outros.
Muros construídos sobre a imbecilidade e a falta plena de amor,
amor que luta, morre, vença ou não a briga; mas não foge e morre de inanição.

A arte incompreendida,
apenas olhada como um adorno aos olhos ofuscados pela luz,
sem se poder ver as palavras óbvias dos movimentos;
pobre arte apresentada a tolos.
Como o simples pode estar tão longe de nós?

E sempre ouço me perguntarem o que eu quero.
Que apenas que exista só a sinceridade,
e que a verdade e a lealdade sejam nossos guias.
Quero que o medo de todos acabe.

Mas devo estar no lugar errado,
ou no mundo errado,
ou com as pessoas erradas.

Não quero abrir um vinho.
Espero que meus personagens não leiam isso, mas hoje não os quero escrever,
e estão aqui atrás de mim.
São a única verdade que conheço.
Nunca abandonam seus desejos e nunca deixam de viver sua verdadeira história.

Me encontro tanto com muros.
Vocês constroem tantos muros.
Não gosto de pular muros.
Também não fico escondido atrás deles.
Gosto de caminhos.
Muros me entristecem.
Caminhos me libertam.
Gostaria que todos fossem livres,
mas infelizmente preferem se esconder nas sombras dos muros
e deixar que tudo passe sem acontecer.

Há muito não escrevo elegias.
É que onde houver muros,
sempre ficarei de fora.
Seja qual for o tamanho do muro.
Seja qual for o tamanho da minha elegia.
Irei

mas irei na direção contrária aos seus muros...

sábado, 13 de junho de 2015

Do que são feitas as palavras que não podemos escutar
quando o coração dispara,
as mãos transpiram,
os pés se movem
e paramos de ter qualquer resposta?
O que fica na frente dos nossos olhos?
O que fica atrás dos desejos?
O que apaga os pensamentos?
Por onde o corpo se move quando apenas quer ficar parado?
Qual o tamanho do universo,
quando o único desejo é tocar o seu rosto com as mãos
e os seus sonhos com um sorriso?
Do que são feitos os sorrisos?
Mãos frias. Mãos quentes.
Olhar tímido. Olhar convencido.
Palavras silenciosas.
Abraços. Lembranças. Espera. Abraços.

Sou feito de poesia.
Me apaixono com versos soltos,
arranco sorrisos com facilidade;
nunca perco as palavras,
apenas as deixo de lado
quando posso sentir o cheiro ou o calor de um contato direto.
Sou feito de tudo que eu não possuo,
mas que caminha através de mim.
Sou feito mais de você do que de mim mesmo
e minhas palavras não são minhas,
nem a minha poesia;
são todas suas e apenas as entrego
e me sinto feliz
e me sinto em algum lugar que jamais poderei descrever,
que jamais poderei tocar
que jamais poderei perder.
Só preciso viver dentro dos seus olhos,
no aperto das suas mãos,
no carinho do seu silêncio,
só preciso viver,
e nada mais.

Onde termina uma história que ainda não começou?
Onde começam as histórias que não podem terminar?
Como aprendemos a atravessar os séculos com tanta maestria?
Não me lembro.
Só sei que o tempo já ficou pra trás
e nada mais importa,
apenas estar lá,
estarmos lá.

Do que foi feito esse poema?
De poesia é claro. Poesia e palavras.

E de você. 

domingo, 24 de maio de 2015

Estarei aqui,
mesmo que o lugar que reservei não seja de grande importância,
mas não causará feridas,
ainda que pequeno e discreto,
será seu,
pelo que é. Pelo que ama e por como sabe amar.

Estarei aqui,
de qualquer forma sempre há um cantinho para se esconder
e tenho um cantinho pequeno, mas confiável e caloroso,
onde a angústia não poderá entrar
porque as portas estarão seladas com carinho,
confiança e alegria.

Os lugares incríveis poderão te trazer milhares de coisas,
histórias, lembranças, amores, dores, ausências,
certezas, mentiras...
mas o cantinho te trará apenas abraços sem destino,
sorrisos sem motivo,
carinho sem desejo
e desejo de que seja feliz;
feliz porque ama e sabe amar,
ainda que longe, ainda que ferida, ainda sem forças pra mais nada,
há em você algo que ninguém jamais irá tirar,
por maior que seja,
por mais forte que seja,
por mais longe que fique.
Há quem ama você,
simplesmente por amar,
mesmo que seja um amor infinito,
ou um pequenininho, quase invisível,
há quem fique feliz apenas com o seu ‘oi’,
há um lugar para você,
um lugar grande e lindo,
e eu tenho um pedacinho dele...

Estarei aqui,
pode vir.  


À minha querida amiga Sane...